"A noite da liberdade" regressa ao palco do Teatro Joaquim Benite em Almada

| Cultura

Os confrontos ocorridos em 1930, na cidade de Murnau, na Baviera, são o tema da peça "A noite da liberdade", do dramaturgo austro-húngaro Ödön von Horváth, que regressa, na sexta-feira, ao palco do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada.

Depois de várias representações esgotadas, após a estreia a 02 de dezembro último, "A noite da Liberdade" regressa à sala principal do Joaquim Benite para 13 espetáculos - de quarta-feira a sábado, às 21:00, e aos domingos, às 16:00 -, até dia 29.

"Noite da liberdade" baseia-se nos confrontos que opuseram os defensores da república alemã de Weimar aos nacionais-socialistas de Hitler, e a ação desenrola-se em torno da taberna do senhor Josef Lehninger, que, à tarde, aluga a sala aos nazis, para que celebrem o Dia Alemão, e, à noite, aos republicanos, para os festejos da Noite Italiana.

Nesta peça, Horváth descreve a forma como, na Alemanha de Weimar, os social-democratas não foram capazes de travar o avanço do nacional-socialismo.

E se, na peça anterior do dramaturgo, "Em direção aos céus", que a Companhia de Teatro de Almada estreou em 2013, a denúncia da escalada da "besta negra", como o autor a classifica, é feita nos moldes de "uma história de encantar", desta vez é denunciada abertamente a passividade e o alheamento de uma sociedade que não conseguiu evitar uma das mais trágicas catástrofes da Humanidade.

Para o diretor da companhia, Rodrigo Francisco, que encena o espetáculo, trata-se de uma peça "muito atual", cuja relevância de se fazer agora é tanto mais importante "quanto a Europa se encontra ameaçada pelo ressurgimento de partidos da direita e neonazis".

"Que democracia é esta em que vivemos? Será que somos capazes de nos defender de partidos como a Aurora Dourada ou a Liga do Norte?", interrogou-se Rodrigo Francisco, na apresentação da peça, defendendo que a encenação é também uma forma de alertar as pessoas para perigos atuais.

"Perigos como a subida ao poder de políticos da direita pela via democrática, como foi a recente eleição do presidente dos Estados Unidos. E nunca é demais lembrar-nos de que Hitler também subiu ao poder pela via democrática", observou o encenador.

Ödön von Horváth (1901-1938), escritor de língua alemã, nascido em Fiume, na actual Hungria, considerava-se um produto típico do império austro-húngaro, tendo-se fixado em Berlim nos anos de 1920.

Em quinze anos escreveu 18 peças profundamente marcadas pelo contexto da ascensão do nazismo.

Horváth gostava de unir os universos do quotidiano com o fantástico, do realismo com a ironia, da comédia com a tragédia.

Nas suas peças, o conflito dramático acaba por não ocupar um lugar central -- ainda que se imponha, disseminado por todo o lado, nomeadamente nos choques entre o consciente e o subconsciente das suas personagens.

"Noite da liberdade" é interpretada por Adriano Carvalho, André Pardal, Carlos Fartura, Duarte Guimarães, Guilherme Filipe, João Farraia, João Tempera, Maria Frade, Maria João Falcão, Marques D`Arede, Miguel Sopas, Pedro Walter e Tânia Guerreiro, com a participação especial de Io Appolloni.

A cenografia é de Jean-Guy Lecat e os figurinos de Ana Paula Rocha.

 

 

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