Abre VI Bienal de Arte e Cultura que multiplica iniciativas até ao fim do mês

| Cultura

Um encontro de escritores, conferências, exposições, um ciclo de cinema e uma homenagem a Almada Negreiros integram o programa da VI Bienal de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe, que começa hoje e vai decorrer até dia 30 na capital santomense.

O evento, que tem inauguração oficial no espaço CACAU, vai estender-se a vários pontos do arquipélago e é organizado pelo CIAC -- Centro Internacional de Arte e Cultura, com coordenação de João Carlos Silva e curadoria de Adelaide Ginga, conservadora do Museu Nacional de Arte Contemporânea -- Museu do Chiado.

Um dos onjetivos desta edição é uma itinerância a Lisboa, em 2012.

"A Bienal pretende afirmar-se como alternativa às grandes bienais internacionais. Tem por objetivo resgatar o histórico papel de São Tomé e Príncipe como entreposto de comércio de escravos, lugar de encontro de povos e culturas, para o afirmar como entreposto cultural em África, espaço de partilha e conhecimento", indicou a organização, no texto de apresentação, enviado à agência Lusa.

"Nesta Bienal em construção, procura-se estreitar relações culturais e apostar no conceito de laboratório, estimular a experimentação e a descoberta, através a criação em residência artística e na efetiva partilha cultural entre criadores, curadores, galeristas, críticos, historiadores e demais agentes culturais", lê-se no documento.

Entre os artistas anunciados contam-se o cabo-verdiano César Schofield, Flaviano Mindela, da Guiné-Bissau, Ihosvanny Cineros, de Angola, Izoe e João Bosco, de Tomor Leste, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, de Portugal, José Spaniol, do Brasil, Lucas Grandin, de França, Maimuna Adam e Mário Macilau, de Moçambique.

De São Tomé and Principe são esperadas as participações de Adilson Castro, Eduardo Mahlé, Geane Castro, Ismael Sequeira, Estanislau Neto, Katita Dias, Kwame Sousa, Olavo Amado, René Tavares e Valdemar Dória.

Entre 01 e 08 de novembro, realiza-se "Roça Língua", um encontro de escritores e atores de países falantes de português, comissariado pelo escritor José Eduardo Agualusa e concebido pela jornalista portuguesa Marta Lança e pelos santomenses Isaura Carvalho e João Carlos Silva.

Uma exposição coletiva internacional, sustentada em residências artísticas, uma exposição de fotografia no espaço público, do português Luís Barra, e outra itinerante de arquitetura, intitulada "Inventar(iar) as Roças de São Tomé e Príncipe" e que percorre as antigas estruturas agrárias de cacau e café que nos séculos XIX-XX estiveram na base do desenvolvimento territorial, patrimonial e económico da então pequena colónia portuguesa, estarão patentes no âmbito da Bienal.

O designer Henrique Cayatte vai coordenar uma instalação no Mercado Novo, intitulada "Rostos no Mercado", a partir de imagens com protagonistas das artes performativas santomenses, ídolos de outros tempos e nomes marcantes que atravessaram gerações.

Outra das iniciativas do programa da Bienal é "Cine África", um ciclo de cinema de autores africanos e de outras nacionalidades que refletem sobre África e o seu património, com coordenação da jornalista portuguesa Maria João Guardão.

Durante a Bienal verificar-se-á ainda uma homenagem a José de Almada Negreiros, escritor e artista plástico português nascido em São Tomé e que se tornou "um dos mais importantes artistas da História da Arte Portuguesa", indica a organização.

Será criado, na Roça da Saudade, um marco que assinale o local do nascimento de Almada Negreiros e realizada uma conferência sobre a relação histórico-familiar do artista com São Tomé e as possíveis analogias da sua obra com África. Haverá leitura de textos e declamação de poemas da sua autoria.

Em fevereiro de 2012, uma parceria com a Câmara Municipal de Lisboa permitirá trazer a Lisboa uma parte da programação da Bienal: os pavilhões branco e preto do Museu da Cidade acolherão uma seleção dos trabalhos realizados em residência artística e o projeto "Inventar(iar) as Roças de São Tomé e Príncipe"; no cinema São Jorge passará o ciclo Cine África e na Ordem dos Arquitetos realizar-se-á um seminário dedicado ao tema "Patriomónio(s). Portugal -- África".

Tópicos:

Adilson, Bienal, Bosco, César Schofield Flaviano Mindela, Macilau, Mahlé Geane, Príncipe, Roça, Valde Dória,

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