Camarim `prima-dona` doTeatro do Funchal reabre a porta à atriz Eunice Muñoz
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A Câmara Municipal do Funchal vai reabrir na sexta-feira, reformulado, o denominado `camarim prima-donna`, do Teatro Municipal Baltazar Dias, nesta cidade, que ficará associado ao nome da artista Eunice Muñoz.
O `camarim prima-donna` é um conceito que data da década de 1970, quando da reformulação do teatro municipal do Funchal que decorreu sob a responsabilidade de Fernando Nascimento, e era um espaço "destinado à atriz ou ator principal", disse a vereadora do município funchalense Madalena Nunes à agência Lusa.
A autarca adiantou que aquele espaço "estava muito degradado", tendo a câmara do Funchal feito um investimento na ordem dos 10 mil euros para o recriar, e "dedicá-lo à grande atriz Eunice Muñoz, que comemora os 75 anos de carreira".
A responsável salientou que esta foi a forma encontrada para tornar aquele camarim "utilizável e homenagear uma grande atriz".
"O camarim está agora muito bonito e com algumas indicações e pistas ligadas a Eunice Muñoz", sublinhou, acrescentando que "depois vai ser usado para o seu fim principal, por outros atores e atrizes do teatro".
O município do Funchal está a apostar na reformulação destes espaços, sendo este o primeiro de oito camarins do teatro a ser intervencionado e a receber o nome de uma artista conceituada.
O projeto de reformulação deste camarim é da `designer` de interiores Cristina Pinto, que "criou uma imagem mais moderna a apelativa, acrescentando alguns elementos relacionados com a atriz durante a sua passagem pelo Funchal, incluindo uma carta inédita [sua] ao Teatro Baltazar Dias", informou o município.
A abertura do recuperado camarim acontece também na altura em que é oficializada a adesão do Teatro Municipal Baltazar Dias à Rede Nacional de Teatros, denominada Rede Eunice, cujo protocolo é assinado domingo, no Funchal.
Madalena Nunes referiu que a câmara do Funchal tem apostado numa maior dinamização do Teatro Municipal Baltazar Dias, e fez uma candidatura a esta rede do Teatro Nacional Dona Maria II, que "tem por objetivo disseminar o teatro por todo o país".
"Mediante as taxas de utilização e o dinamismo que o teatro do Funchal tem tido conseguimos ser selecionados, junto com outros dois teatros do país [Barcelos e Bragança] e vamos ter três épocas, três anos consecutivos com espetáculos do Teatro Nacional Dona Maria II", apontou.
A vereadora vincou que este protocolo "descentraliza o trabalho feito pelo teatro Dona Maria", o que permite a apresentação no Funchal de duas peças por ano, prevendo ainda o encontro entre atores nacionais e regionais.
No âmbito deste acordo, no palco do Teatro Baltazar Dias, no Funchal, será apresentada a peça "Ifigénia", ""na linha da tragédia grega, destinada a um público mais adulto", que é escrita pelo diretor artístico do Dona Maria II, Tiago Rodrigues, numa recriação do texto do dramaturgo grego Eurípides, apontou Madalena Nunes.
No domingo, "com a preocupação de trazer ao espetáculo um público principal mais jovem", será a vez de subir ao palco "A Origem das Espécies", uma peça inspirada na obra de Charles Darwin, acrescentou, outra peça do repertório atual do Nacional D.Maria.

