Computador consegue escrever notícias sozinho

| Tecnologia

Nas redações discute-se se será possível substituir os jornalistas por máquinas
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A empresa norte-americana Narrative Science passou 10 anos a desenvolver um software que permite que um computador seja capaz de escrever textos sem qualquer intervenção humana. Nas redações discute-se se será possível substituir os jornalistas por máquinas.

Já existia tecnologia que permitia a escrita de textos sem intervenção, mas a gramática era confusa e o vocabulário era extremamente reduzido. "Os textos liam-se como se uma máquina os tivesse escrito", disse Roger Lee, sócio geral da Battery Ventures, que liderou um investimento de seis milhões de dólares na empresa de Evanston, Illinois, no início deste ano.

"O Wisconsin parece estar embalado para a vitória, uma vez que vence por 51-10 na terceira parte contra a UNLV, esta quinta-feira, no Estádio Camp Randall", relata o programa da Narrative Science. "Pensei que era magia", disse Roger Lee. "É como se um ser humano o escrevesse."

Estas palavras começaram uma breve notícia escrita em apenas 60 segundos no final da terceira parte de um jogo de futebol que decorreu no início deste mês. Tendo em conta o tempo gasto e que foi escrita sem intervenção humana, muitos concordam ser um feito a aplaudir. Mas nem todos estão satisfeitos: "Hey, impostor, quando uma equipa está à frente por 41 pontos na terceira parte do jogo não 'parece' estar embalado", critica o jornalista Charles Walsh, numa coluna do ctpost.com com o título "Nenhum computador vai bater-me na corrida ao Pulitzer".

Mas os dois fundadores da empresa lançada no ano passado, Kris Hammond e Larry Birnbaum, co-diretores do Laboratório de Informação Inteligente da Universidade de Northwestern, têm uma opinião muito diferente: "Em cinco anos um computador vai ganhar um Prémio Pulitzer", diz Hammond. "E macacos me mordam se não vai ser a nossa tecnologia", acrescenta em entrevista ao The New York Times.

"Transformamos informação em conteúdos editoriais de alta qualidade. A nossa tecnologia produz novas histórias, relatórios sobre a indústria, títulos e mais, em escala e sem escrita ou edição humana", explica a Narrative Science, no seu portal online. Este computador "é a prova do progresso da tecnologia de inteligência artificial - a capacidade dos computadores para imitar o raciocínio humano", explica o jornalista Steve Lohr no The New York Times.

"Vão ajudar os trabalhadores humanos ou substituí-los?"
Depois de dez anos de investigação, o software está pronto e é capaz de escrever artigos novos em tempo real a partir de informação em bruto, seja numérica ou textual, estruturada ou não, avança o International Herald Tribune na edição de segunda-feira. Inicialmente, o programa foi concebido para a informação desportiva. O portal desportivo Big Ten Network usa este software para distribuir resumos dos jogos assim que terminam, mas relatórios financeiros, informação imobiliária e sondagens também podem ser usados para gerar artigos em apenas alguns segundos.

"Considerando o ritmo estonteante da tecnologia, quanto tempo passará até que estas máquinas infernais escrevam colunas de jornais premiadas em 10 segundos?", questionou Charles Walsh. "Esta evolução levanta a questão mais ampla de saber se tais aplicações de inteligência artificial vão ajudar os trabalhadores humanos ou substituí-los", acrescentou Steve Lohr no artigo do The New York Times este domingo, "Caso tenham dúvidas, foi um humano que escreveu esta coluna".

Birnbaum e Hammond são professores de jornalismo e de ciências da computação. "A própria empresa é uma consequência da colaboração entre as duas escolas", explica o site da Narrative Science. Os criadores do software ambicionam aumentar bastante a qualidade dos textos, apesar de o descreverem como "uma ferramenta de baixo custo para que as publicações possam expandir e enriquecer a cobertura quando os orçamentos editoriais estão sob pressão."

A empresa norte-americana divulgou ter já 20 clientes, não só na produção de relatos desportivos, mas também de artigos para jornais de medicina, mas não revela quem são. The New York Times afirma que alguns serão grupos económicos detentores de jornais e revistas, que estarão a experimentar o software nas redações.

Tópicos:

Narrative Science, inteligência artificial, jornalismo, software, tecnologia, computador,

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