Cristóvão de Aguiar rejeita rótulo de literatura açoriana

| Cultura

O escritor português Cristóvão de Aguiar rejeitou hoje, nos Açores, o rótulo de literatura açoriana, por considerar que ela faz parte da produção literária lusófona, que abrange todos os países de língua portuguesa.

"O título (literatura açoriana) é equívoco, porque pode parecer que é uma literatura separada da literatura portuguesa", afirmou à agência Lusa o escritor, na opinião do qual o conceito foi criado para que alguns escritores locais se pudessem destacar, já que não tinham lugar na literatura portuguesa.

A literatura açoriana é hoje o grande tema em destaque no segundo dia do 4.º Encontro Açoriano da Lusofonia, a decorrer na ilha de São Miguel até sábado e que junta no Cine-Teatro da Lagoa vários escritores açorianos de renome como Cristóvão de Aguiar e Daniel de Sá.

Frisando que também não há literatura transmontana com Miguel Torga ou beirã com Aquilino Ribeiro, Cristóvão de Aguiar considerou que a produção literária nos Açores, ou tendo como pano de fundo os Açores, constitui "um enriquecimento da nossa língua e literatura", mas "não merece perdas de tempo em discussões que não levam a parte nenhuma".

"Há uma maneira muito fácil de fugir a todo esse problema escatológico que é chamar literatura lusófona, onde cabem todos os países de língua oficial portuguesa", defendeu Cristóvão de Aguiar, que conta com mais de 30 títulos publicados.

Natural da freguesia do Pico da Pedra, ilha de S. Miguel, Cristóvão de Aguiar é um dos nomes grandes da literatura açoriana, com um longo percurso iniciado em 1965 com a publicação do livro de poesia "Mãos vazias".

O escritor disse, ainda, que a renovação dos escritores de origem açoriana está assegurada, com nomes já na ribalta da literatura nacional, como João de Melo.

O mais recente livro de Cristóvão de Aguiar, "Cães letrados" (2008), foi apresentado e lançado hoje de manhã e, segundo a editora "Calendário das Letras", a primeira edição está esgotada, devendo sair em breve uma nova edição.

O escritor, galardoado com o Grande Prémio da Literatura Biográfica da Associação Portuguesa de Escritores, entre outros prémios, publicou anteriormente "O braço tatuado", "Ciclone de Setembro", "Grito em chamas", "Passageiro em trânsito", "Marilha", "Com Paulo Quintela à mesa da tertúlia" e "A descoberta da cidade".

Além da aplicação do novo acordo ortográfico, literatura açoriana e açorianidade será abordada a temática da tradução no decurso do encontro, que apresenta um amplo programa sócio-cultural.

Até sábado irão passar pelo 4.º Encontro Açoriano de Lusofonia cerca de 50 oradores e dezenas de participantes de Portugal, Brasil, Austrália, Bélgica, Canadá, Eslovénia, França, Espanha, Itália e Moçambique.

RME.

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