Eduardo Souto Moura sem trabalho em Portugal

| Cultura

Souto Moura queixa-se da falta de trabalho no seu país quando no estrangeiro as obras não param.
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O prémio Pritzker 2011, Eduardo Souto Moura, gostaria, certamente, que a distinção que se prepara para receber servisse mais como um empurrão aos vários projetos seus que nesta altura se encontram por concretizar em Portugal e menos por aqueles que lhe permitiram ganhar o Nobel da arquitetura mundial. Souto Moura queixa-se da falta de trabalho em Portugal quando pela Europa nascem vários projetos com a assinatura do arquiteto do Porto.

Eduardo Souto Moura considera em entrevista ao diário espanhol El País que o prémio Pritzker acaba por ser uma boa notícia para os portugueses, podendo contribuir para levantar um pouco do ego nacional que se encontra quase de rastos face à tremenda crise económica que Portugal atravessa.

Uma entrevista em que Souto Moura aproveita para deixar um lamento quanto ao seu trabalho em Portugal, que pura e simplesmente não existe, e os que existem em projeto ou já no terreno não andam por força da crise financeira que atravessa o país e que impede que os necessários financiamentos possam ser desbloqueados.

Com uma obra enorme a correr em quase toda a Europa, como são exemplo um estádio e um museu em Lausanne, na Suíça, ou, no mesmo país, um conjunto de laboratórios em Basileia, ou um crematório na Bélgica, ou dois edifícios em Bordéus, e ainda o Metro em Nápoles ou o mais recente concurso que ganhou num país do Médio Oriente, Souto Moura lamenta que em Portugal nada de igual aconteça.

“Gostava de trabalhar mais em Portugal. Mas atualmente não há nada. Está tudo totalmente paralisado”, referia Souto Moura ao diário espanhol avançando que neste momento não tem um único projeto em Portugal e que as condições de crise existentes no nosso país fazem adivinhar um “futuro negro para os jovens portugueses”.

Com escolas a fazerem sair cerca de 20 mil profissionais de arquitetura em todo o país, Souto Moura diz que a única possibilidade de futuro para esses jovens está na imigração para o “Brasil ou Suíça”.

Mas se Eduardo Souto Moura se queixa de não ter trabalhos em Portugal, a verdade é que tem muitos em “banho-maria” apanhados pela crise económica do país e do mundo como são exemplos o Coliseu de Viana do Castelo, parado por falta de financiamento, a Casa do Cinema Manoel de Oliveira, terminada há vários anos mas que continua sem uso, ou a transformação da Casa das Artes em Cinemateca do Porto.

Lamentos à parte deixados no El País, Souto Moura confessa ainda o quanto foi inesperado vencer o Prizker, o prémio de maior prestígio que um arquiteto pode alcançar e logo para num país periférico da Europa que vence pela segunda vez o Nobel da Arquitetura, o primeiro foi ganho por Álvaro Siza Vieira, em 1992, dois arquitetos com estúdio no mesmo edifício da cidade do Porto.

Tópicos:

Eduardo Souto Moura, El País, Portugal, arquitetura mundial, prémio Pritzker 2011,

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