"Festas de Garagem" em estreia no Dona Maria II

| Cultura

O autor e encenador de "Festas de Garagem", peça que se estreia quinta-feira no Teatro Nacional D. Maria II (TNDM), em Lisboa, afirmou que esta leva "as pessoas [a] questionarem o que as rodeia e seguir em frente".

Carlos J. Pessoa, em declarações à Lusa, afirmou que a peça "procura refletir, na cena, questões como a atual situação que vivemos em Portugal", mas pretende-se um "espetáculo positivo".

"É um espetáculo positivo [do qual] as pessoas não devem sair deprimidas, mas com vontade de viver, de questionar o que as rodeia e seguir em frente", sentenciou o encenador.

A peça, uma coprodução do TNDM II e do Teatro da Garagem, que está a celebrar 25 anos de existência, está em cena na sala estúdio do D. Maria, a partir da próxima quinta-feira, até 11 de maio.

"Procurei que estas `Festas de Garagem` fossem um retrato de Portugal, hoje, agora, não um retrato passivo, mas dinâmico, vivo, de modo a que possa estimular as pessoas", afirmou.

A ação dramática desenvolve-se à porta de uma festa para a qual várias pessoas não têm entrada - "são os excluídos" -, o que, para o encenador e autor, funciona como uma metáfora relativamente à atual situação de Portugal.

"Ficamos à porta da Europa, somos os porcos da Europa, os que não pagam a dívida, as pessoas mal-amanhadas, os que trabalham pouco, todos aqueles que, de certo modo, não têm lugar à mesa do senhor", ironizou.

Carlos J. Pessoa sublinhou que a peça é "uma leitura do tempo que vivemos", tendo optado por "inchar as personagens".

"Quis as personagens gordas, muito gordas, tão inchadas a ponto de estoirar, que é como eu sinto que estão as pessoas", adiantou.

As personagens correspondem a "tipologias características do imaginário português, por exemplo o Dux de Coimbra, das praxes, que lhe chamei o Dux Wellington, um carpinteiro que corresponde ao popular lisboeta, o arquiteto/engenheiro, que é do norte, uma porteira das discotecas da moda, que tem um certo `glamour` de trazer por casa. São tipos excessivos e apresentados de forma grotesca, a rebentar, porque estamos a rebentar".

"A dificuldade -- disse -- foi dar a volta a esta situação. Afinal ficamos todos assim à porta? Temos de ter esperança, encontrar um bem-estar, um espaço de revelação, nesse estar à porta", afirmou.

Uma dificuldade acrescida, disse, "pois vivemos um tempo em que não é fácil a esperança, o otimismo, a luz ao fundo do túnel, e, se há uma luz, pode ser um comboio que vem em sentido contrário", rematou.

Este é um texto, afirmou Carlos J. Pessoa, que "faz jus à tradição teatral portuguesa, uma tradição e comédia que remonta a Gil Vicente, que se desenvolveu com [António José da Silva], o Judeu, e tem pontos de apoio em D. Francisco Manuel de Melo, e no próprio percurso de 25 anos do grupo" Teatro de Garagem.

Sobre a atualidade, o encenador disse que "é um tempo onde há uma autocensura, e em que o teatro, enquanto pensamento risível, e o riso, enquanto fator de pensamento, [constituem] um desafio que a mim se coloca", rematou.

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