Filme da vida de Manoel de Oliveira chega aos 105 anos

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Manoel de Oliveira espreita o futuro aos 105 anos
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Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu a 11 de dezembro de 1908 na Cedofeita, no Porto. Hoje completa 105 anos. Conhecido como Manoel de Oliveira ostenta o título de realizador mais velho do mundo em atividade. Autor de 32 longas-metragens será neste dia alvo das mais diversas homenagens com destaque para a sua cidade natal onde será inaugurada a exposição "Manoel de Oliveira - 105 revistas" que deverá contar com a presença do realizador.

Nasceu no Porto mas cedo seguiu para o país vizinho onde na cidade de A Guarda, na Galiza, frequentou um colégio de jesuítas. Como o próprio reconhece nunca foi um bom aluno e o desporto, em particular o atletismo, serviram de escape ao estudante tendo mesmo chegado a campeão nacional de salto à vara.

A par do desporto e muito antes dos filmes, Manoel de Oliveira dedicou-se ao automobilismo e a uma vida boémia onde as tertúlias no Café Diana, na Póvoa de Varzim, eram pontos de encontro com amigos como José Régio, Agustina Bessa-Luís ou Luís Amaro de Oliveira.

Foi ainda muito cedo, aos 20 anos, que se aventurou na escola de atores no Porto, e chegou mesmo a passar à prática com uma participação no segundo filme sonoro português, “A Canção de Lisboa” realizada em 1933 por Cottinelli Telmo.

Mas não seria uma experiência a repetir, Manoel de Oliveira veio a dizer mais tarde não se identificar com aquele estilo de cinema popular.

Foi em 1942 que se aventurou na ficção como realizador com uma adaptação do conto “Os Meninos Milionários”, de João Rodrigues de Freitas, para filmar “Aniki-Bobó”.

A verdade é que este filme, algo enternecedor que retratava a infância vivida por crianças na Ribeira do Porto, foi um fracasso comercial e só muito mais tarde viria a ser reconhecido como uma das melhores obras cinematográficas portuguesas.

No entanto, o fracasso de “Aniki-Bobó” levou o realizador a abandonar o cinema e a dedicar-se aos negócios da família só voltando aos seus sonhos de realizador 14 anos depois para rodar “O Pintor e a Cidade” em 1956.
Homenagens no PortoManoel de Oliveira será neste dia alvo das mais diversas homenagens e, como já referido, o destaque vai para a cidade do Porto onde será inaugurada a exposição "Manoel de Oliveira -- 105 revistas" onde o realizador deverá marcar presença.

Trata-se de uma exposição que estará patente até 10 de março do próximo ano no Museu Nacional de Imprensa e que mostra várias revistas portuguesas e algumas publicações francesas, como os Cahiers du Cinéma, Beaux Arts, L'Avant Scne Cinéma ou L'Acchiappa Film, que incluem trabalhos sobre o realizador.

O final do dia de hoje ficará ainda marcado com a presença do realizador no lançamento de uma peça de porcelana da Vista Alegre que integrará a coleção "1+11".

"Aniki-Bóbó" é o nome de um bule do pintor, designer, escultor fotógrafo e cineasta Manuel Casimiro, filho de Manoel de Oliveira, sendo uma evocação do mais famoso filme do cineasta.

Tópicos:

Cedofeita, Manoel de Oliveira, Porto, realizador, 1908,

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