Governo admite rever Acordo Ortográfico

| Política

“Não há uma polícia da língua, há um acordo que não implica sanções graves para ninguém”
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Depois da decisão de Vasco Graça Moura de ignorar o Acordo Ortográfico nas comunicações do CCB, foi ontem a vez de o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, vir olhar com cautelas para os imperativos da nova escrita do Português. A três anos da implementação definitiva da nova ortografia unificada às nações da Língua, Viegas diz que há trabalho a fazer para afinar as palavras.

Com um desagrado pessoal ontem confessado durante um programa da TVI face ao novo acordo ortográfico e à forma como foi conduzida a sua implementação, o secretário de Estado da Cultura admite que até 2015 cada um use o português escrito como muito bem entender, dentro das possibilidades abertas entre a velha ortografia e o novo acordo.

“Gosto de algumas regras, outras não. O processo não foi bem encaminhado. O acordo ortográfico está em discussão há 20 anos. Discutiram-se as coisas à última da hora”, lamentava o governante.

Depois, defende Viegas que, sendo “do ponto de vista teórico (…) uma coisa artificial”, a ortografia pode ser alvo de trabalho: “Portanto, podemos mudá-la. Até 2015 podemos corrigi-la, temos essa possibilidade e vamos usá-la. Nós temos que aperfeiçoar o que há para aperfeiçoar. Temos três anos para o fazer”. “O que é bom considerar é o seguinte: do ponto de vista teórico, a ortografia é uma coisa artificial, provavelmente, e portanto, se é artificial, nós podemos mudá-la. Mas temos uma vantagem. É que até 2015, podemos corrigi-la. Temos essa possibilidade e eu acho que vamos usá-la”.

“Temos de aperfeiçoar aquilo que há para aperfeiçoar. Temos algum tempo, temos três anos para o fazer”


Um dos casos que nos últimos tempos voltou a colocar o acordo ortográfico nas páginas da atualidade foi a decisão do recentemente nomeado presidente do CCB (Centro Cultural de Belém), Vasco Graça Moura, de mandar retirar o corretor ortográfico dos computadores da Fundação CCB.

Já se sabia a posição de Vasco Graça Moura em relação ao acordo. Agora, o presidente do CCB conta com o apoio oficial do Governo: “Os materiais oficiais do CCB obedecem à norma geral que vigora desde 1 de janeiro em todos os organismo do Estado. Vasco Graça Moura, um dos grandes autores da nossa Língua, escreverá como lhe apetecer”, sublinhou Francisco José Viegas.

“Vasco Graça Moura é uma das pessoas que mais refletiu sobre a questão do acordo ortográfico. É uma das pessoas que mais se empenhou no combate contra o acordo, em termos pessoais. Vasco Graça Moura é um grande criador da nossa língua”, acrescentou, para considerar “absolutamente ridículo que várias pessoas que não têm qualquer intimidade nem com a escrita, nem ortografia, nem com a nova, nem com a velha, terem vindo criticar e pedir sanções”.

Fazendo uso da ironia, o secretário de Estado da tutela lembrou que “todos os portugueses têm a possibilidade de escolher a sua ortografia. Não há uma polícia da língua, há um acordo que não implica sanções graves para ninguém”.

Dava Viegas o exemplo do seu próprio caso, que, enquanto escritor, tem dúvidas e fará assim “uso dessa possibilidade, como todos os portugueses podem fazer uso dessa possibilidade, isto é, a competência que têm para escolher a sua ortografia”.

Tópicos:

Acordo Ortográfico, CCB, Francisco José Viegas, Português, Secretário de Estado da Cultura, Vasco Graça Moura,

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