Inédito de Gil Vicente com estreia marcada para o Festival de Almada

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A estreia de "Nao d`amores", de Gil Vicente, é uma das revelações do Festival de Almada, num espetáculo coproduzido pela companhia anfitriã, com a espanhola Nao d`Amores, que toma o nome da peça vicentina, dirigida por Ana Zamora.

A obra - "Nau de Amores", na ortografia atual - foi escrita em 1527, para celebrar a chegada a Lisboa do rei D. João III e de sua mulher, Catarina da Áustria, e nunca mais foi representada, segundo a Companhia de Teatro de Almada, que divulgou hoje a programação do festival.

Para a encenadora espanhola, que assina o projeto, batizar o seu grupo com o nome de uma peça de Gil Vicente, constitui uma "declaração de princípios e, ao mesmo tempo, uma metáfora em redor daquilo que se supõe que seja o devir apaixonado de uma companhia teatral", lê-se na apresentação da obra.

Em "Nao d`amores", segundo a companhia, a ação decorre num navio - uma nau -, onde se cruzam as personagens, todas de caráter alegórico, como a própria cidade de Lisboa, o Amor, que conduz o barco, "um Frade doido, um Pastor castelhano, um Negro, um Velho apaixonado e dois Fidalgos portugueses".

Depois da estreia no festival, a peça estará em cartaz, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em outubro.

"O feio", do dramaturgo contemporâneo alemão Marius von Mayenburg, com encenação de Toni Cafiero, é a outra estreia da companhia anfitriã, organizadora do festival. A peça revela-se uma parábola sobre a vulgarização da imagem.

À semelhança de "Nao d`amores", "O feio" também estará em cena no Teatro Joaquim Benite, em setembro, depois da estreia no festival.

De Nova Iorque, chega "Pylade", um texto de Pier Paolo Pasolini, estreado no final do ano passado, pela companhia do histórico Theatre of La MaMa, de caráter experimental - a Great Jones Repertory Company -, com direção de Ivica Buljan.

A obra é uma interpretação moderna da relação de Pílades e Orestes, da mitologia grega, traduzida numa "meditação trágica da democracia, do consumismo e da luta por uma verdadeira mudança social", como a companhia escreveu no seu programa.

Quando da representação em Nova Iorque, a companhia advertiu tratar-se de "uma `performance` muito física", com muita ação, que se desenrola "muito perto do público", sem, no entanto, requerer a sua participação.

Outro destaque do cartaz é "Città del Vaticano", um texto escrito e encenado pelo alemão Falk Richter, para a Schauspielhaus de Viena (casa do teatro de Viena, em tradução livre), uma obra que questiona o "modo como a religião e a Igreja influenciam a vida do cidadão comum, no seu dia-a-dia".

A direção do festival chama igualmente a atenção para "Susn", peça do também alemão Herbert Achternbusch, encenada por Thomas Ostermeier para o Kammerspiele de Munique (teatro de câmara de Munique), que se centra "numa jovem ruiva que se rebela contra o contexto social em que nasceu, e que perde essa batalha entre forças desiguais".

Thomas Ostermeier assina ainda a encenação de "A gaivota", o clássico moderno de Tchekov, pela companhia suíça Théâtre Vidy, de Lausanne.

"Tandem", pela Associazione Culturale Civilleri/Lo Sicco, de Itália, é uma encenação que assenta em dois corpos em equilíbrio, assinada por Sabino Civilleri e Manuela Lo Sicco, os responsáveis da companhia, a partir de texto de Elena Stancanelli.

"Othelo", de Shakespeare, pela Compagnie du Zieu, de França, e uma reinterpretação de "Pinóquio", a partir do clássico de Carlo Collodi, com encenação do francês Joel Pommerat, contam-se entre os espetáculos de sala, da programação desta edição do festival.

Jorge Palma (dia 09 de julho), Má Vontade, com sons da Itália Meridional (dia 12), Orquestra Típica Milongueira de Lisboa (13), Manuel João Vieira (15) e Helder Moutinho (16) são alguns dos protagonistas dos 16 espetáculos da série "Música na Esplanada", na Escola D. António da Costa.

Outros seis espetáculos de rua, com teatro, música e `performance`, compõem o programa "Fora de sala", nas localidades de Cacilhas e Laranjeiro.

"Dejame que te baile", espetáculo de dança com criação e direção musical de Santiago Lara, libreto de Francisco López e coreografia de Mercedes Ruiz, pela Companhia Mercedes Ruiz, é apresentado no fecho do festival, na Escola D. António da Costa.

O Festival de Almada decorre de 04 a 18 de julho, em salas de Almada e Lisboa, e homenageia o encenador Ricardo Pais.

Tópicos:

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