Luís Filipe Rocha filma história sobre superação da morte em "A outra margem"

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O filme "A outra margem", que Luís Filipe Rocha estreia dia 25 nos cinemas, é uma história sobre a superação da morte e a tentativa de entendimento do ser humano, afirmou o realizador à agência Lusa.

"A outra margem", a décima longa-metragem de Luís Filipe Rocha, conta "uma história impregnada de alegria de viver, precisamente uma alegria de viver para lá da morte".

Ricardo (Filipe Duarte), homossexual e travesti de profissão, é um homem amargurado que deseja morrer depois do seu companheiro se ter suicidado.

Nesse tempo de solidão, Ricardo regressa à cidade onde nasceu, algures no interior do país, e conhece o sobrinho Vasco (Tomás Almeida), um adolescente com trissomia 21, que lhe trará uma nova vontade de viver.

É uma "história da improbabilidade", diz Luís Filipe Rocha, que lhe surgiu em finais de 2004, depois da morte do pai e de um amigo de infância a quem dedica este filme.

"Todos os meus filmes em princípio tentam encontrar algumas respostas para questões que ponho a mim próprio e este é muito sobre a superação da morte", referiu o realizador.

Além dos actores Filipe Duarte e Tomás Almeida, cujas interpretações no filme foram distinguidas este ano no Festival de Montreal, no Canadá, "A outra margem" conta ainda com a participação de Maria d´Aires, Horácio Manuel e Sara Graça nos principais papéis.

Há ainda o rio como elemento que separa e une as personagens desta história, rodada em 2006 em Amarante.

Luís Filipe Rocha, prestes a completar 60 anos, assume "a propensão documentarista" do seu cinema e dá valor a uma aproximação forte à realidade.

"Sou um cineasta que atribui uma grande importância à essência narrativa e enquanto narrador assumo que os meus filmes têm um apoio de realidade muito forte", sublinhou o realizador.

Essa aproximação da história de "A outra margem" à vida real nasce, segundo Luís Filipe Rocha, do trabalho dos actores.

"Com os actores procuro sempre momentos de verdade nos quais eles acreditem e nos façam acreditar a nós [espectadores], mas havia uma coisa muito importante neste filme: fugir ao sentimentalismo", sublinhou o realizador.

Era importante "fugir aos clichés" e tirar dos actores "momentos de verdade emocional, sentimental, criativa e humana", referiu.

É por isso que Luís Filipe Rocha rejeita qualquer ideia de que este seja um filme sobre o preconceito, apesar de aflorar a questão da homossexualidade e da deficiência como factores que levam à exclusão social.

"Os seres que nós anormalmente, por desumanidade, por insensibilidade, afastamos para a outra margem da vida, somos nós próprios. São seres humanos como nós", defende o cineasta.

Luís Filipe Rocha também não acredita que o seu filme faça mudar alguma coisa, mas admite que ficaria contente "se os espectadores se autoquestionassem um bocadinho sobre si próprios".

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