Luís Miguel Cintra à espera de uma revolução leva "Desastres do Amor" ao Porto

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Imagem do ensaio de imprensa da peça "Os Desastres do Amor"
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O diretor da companhia teatral da Cornucópia, Luís Miguel Cintra, vai levar ao palco do Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, a partir desta sexta-feira "Os Desastres do Amor", quando espera que ocorra uma mudança social radical.

A peça, que fica em cena até dia 24, estreou-se no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, no passado mês de novembro e combina trechos de diversos textos de Pierre de Marivaux, autor francês do século XVIII que "está constantemente a falar de amor", explicou à Lusa Luís Miguel Cintra.

"Há uma espécie de agitação, mal-estar, qualquer coisa que a gente não percebe muito bem o que é, mas que pede uma mudança e oxalá aconteça uma mudança tão importante como foi a Revolução Francesa no século XVIII. Já não serei eu que a verei, mas espero que isso aconteça", afirmou o ator e encenador.

Tudo surgiu de uma conversa com a atriz Rita Blanco, que encarna a personagem de Felícia e que num dos últimos espetáculos da Cornucópia perguntou: "E o amor?", ao que Cintra respondeu: "Espera aí que eu já te digo".

O fundador da Cornucópia realça a atualidade de Marivaux e considera que nos dias de hoje, "o amor não é livre porque as próprias consciências não são livres. Estão minadas por preconceitos, proibições e por valores como o dinheiro que se sobrepõem ao das relações entre as pessoas".

Luís Miguel Cintra refere, também, que "há da parte dos mais novos uma responsabilização individual maior, que é o lado bom do egoísmo", o que o leva a perder os medos sentidos em tempos de que haveria "muita sacanagem com uns a torpedearem os outros".

"O que reparo com muita gente nova que conheço não é isso. É uma grande responsabilização individual, contar apenas consigo próprio, mas um grande respeito também pelo outro a quem não se faz mal", disse o encenador.

 

 

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Cintra, Cornucópia, Desastres, XVIII,

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