Museu da Chapelaria acolhe exposição inédita sobre a assistente pessoal de Calouste Gulbenkian

| Cultura

O Museu da Chapelaria, em São João da Madeira, inaugura hoje a exposição inédita "A secretária virtuosa do Sr. Calouste Gulbenkian", com chapéus, vestidos e acessórios de moda utilizados por Maria Helena Knott nos seus anos de serviço ao magnata arménio.

Juntamente com fotografias e outros documentos, as peças em causa foram doadas ao Museu por Lisa e Patrick Thompson, ambos familiares da chamada "Miss Knott" (Benfica, 1922 - Cascais, 2006), e reportam sobretudo aos anos 40 e 50, quando a educação britânica e a conduta discreta da dama portuguesa que estudou `ballet` no mesmo colégio da Rainha Isabel II levaram Calouste Gulbenkian a convidá-la para sua assistente pessoal.

Suzana Menezes é a coordenadora do Museu da Chapelaria e, comissariando a exposição, declarou à Lusa que a mostra "remete o visitante para um mundo absolutamente extraordinário, pautado por regras e códigos sociais que, por várias razões, já não se vivenciam hoje".

Para essa responsável, a exposição dá também a conhecer "a personalidade e o trabalho cultural de um homem fundamental no contexto do desenvolvimento do país, fazendo-o através do olhar feminino da sua secretária".

Suzana Menezes recorda que foi a doação do espólio de Maria Helena Knott ao Museu da Chapelaria que conduziu à organização da presente mostra. "Quando recebemos a coleção percebemos duas coisas fundamentais", observa. "Por um lado, que os objetos em doação eram de uma beleza e elegância assinaláveis e, por outro, que a história de vida de Miss Knott merecia ser contada, por aquilo que representa cultural e socialmente".

A coordenadora do Museu define a assistente de Gulbenkian como "uma mulher com um nível de educação claramente acima da média, que exerceu uma atividade profissional assinalável e que foi, sob muitos pontos de vista, uma mulher muito à frente do seu tempo".

Em entrevista ao Expresso em 2005, Miss Knott definia-se, contudo, como "uma mulher do século XVIII". Nasceu em Benfica em 1922, foi educada em casa com "uma miss, uma mademoiselle e uma fraulein", e ingressou depois na École Française de Lisboa, de onde seguiu para Inglaterra, para continuar a sua formação no Convento de Holly Child Jesus, entre 1936 e 1939.

De regresso a Portugal, afirma-se como influente e a 18 de março de 1943 conhece Calouste Gulbenkian através de um casal amigo. A sua educação britânica e atitude discreta valeram-lhe então um convite do próprio para ser sua assistente, passando assim a ocupar um escritório no Hotel Aviz, em Lisboa.

"De figura elegante, gostava de vestir bem, sempre saia ou vestido, pretos, pelo joelho", pode ler-se na documentação que acompanha a mostra. "Não esquecia as luvas da mesma cor, nem os chapéus a condizer, num contraste perfeito com o tom da sua pele. Com distinção e muito discreta, estava sempre preparada para um cocktail ou uma festa mais requintada".

Calouste Gulbenkian (Turquia, 1869 - Lisboa, 1955), por sua vez, foi um "financeiro, industrial, diplomata, religioso, filantropo, conhecedor e Casanova". Criador da Iraq Petroleum Company Limited, viveu entre o Médio Oriente, Londres e Paris, até se estabelecer aos 73 anos em Lisboa, onde apreciava o clima, "a hospitalidade, a segurança e o sistema de impostos".

Colecionista entusiasta de Arte e detentor de uma vasta fortuna, deixa em testamento a constituição da fundação internacional que, com sede em Lisboa, ainda hoje se destaca com o seu nome em vários domínios da Ciência e da Cultura.

A exposição "A secretária virtuosa do Sr. Calouste Gulbenkian" está patente na galeria de exposições temporárias do Museu da Chapelaria até 30 de agosto.

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