Museu da Resistência na antiga prisão do Aljube abre daqui a um ano

| Cultura

O projeto do futuro Museu da Resistência e Liberdade, na antiga cadeia do Aljube, em Lisboa, foi hoje apresentado, faltando um ano e um dia para a sua inauguração, quando a revolução de Abril completar 40 anos.

O Museu do Aljube Resistência e Liberdade pretende "preservar a memória e ser uma transmissão de gratidão a todos aqueles que se bateram contra a ditadura durante 48 anos", realçou o presidente da Câmara, António Costa.

A transformação da antiga cadeia em museu "tem andado mais lentamente do que gostávamos, mas tivemos aqui uma exposição importante, fizemos o projeto de arquitetura, temos o concurso de empreitada feito, está em vias de adjudicação, mas em Portugal hoje não abundam os recursos financeiros e por isso não andamos à velocidade a que gostaríamos", disse António Costa.

O edifício foi entregue em 25 de Abril de 2009 pelo ministério da Justiça à Câmara de Lisboa, por iniciativa do então ministro Alberto Costa, uma circunstância que o autarca António Costa considerou feliz.

"As circunstâncias hoje são outras. Hoje o Estado tem revelado bastante tendência para transformar em hotéis de charme elementos patrimoniais. Felizmente naquela altura foi possível evitar isso", salientou António Costa.

A obra de conversão do edifício em museu custa cerca de um milhão e meio de euros, financiamento específico contraído pela câmara no âmbito do programa de reabilitação urbana junto do Banco Europeu de Investimento.

O Aljube foi presumivelmente uma prisão política a partir de 1928, onde eram encarcerados interrogados e torturados pela polícia política os presos do sexo masculino.

Nos anos 40 do século passado acolheu muitos dos presos políticos durante a fase de interrogatório, que decorriam geralmente na sede da polícia política (PIDE), na Rua António Maria Cardoso.

A forma de tortura mais usada, segundo testemunhos de detidos, era o isolamento nos chamados "curros", 14 celas feitas à medida de um homem estendido ao comprido, onde o detido não tinha espaço para se mexer enquanto esperava para ser levado para interrogatórios.

O projeto de adaptação da antiga prisão a museu é dos arquitetos Manuel Graça Dias e Egas José Vieira e o programa de conteúdos expositivos está a ser coordenado por uma comissão instaladora que convidou várias personalidades, representadas por António Borges Coelho, ele próprio um ex-detido no Aljube.

O museu pretende "apresentar um retrato alargado da História Contemporânea portuguesa, cobrindo múltiplos aspetos da resistência contra a ditadura e da luta pela liberdade".

"Com este passo, a câmara de Lisboa visa ainda preencher uma lacuna grave no tecido museológico nacional, cumprindo um dever de melhoria e de cidadania", realça a autarquia numa informação escrita sobre o projeto.

No futuro museu será possível ver vestígios arqueológicos e a história do edifício (piso -1), funcionará uma loja do Museu e exposições temporárias (piso 0), uma exposição permanente (pisos 1 e 2), será possível ver uma reconstituição dos "curros" (piso 2), funcionará um centro de documentação (piso 3) e um auditório e cafetaria (piso 4).

Tópicos:

Contemporânea,

A informação mais vista

+ Em Foco

Em Orlando, Donald Trump apresentou-se como vítima do jornalismo “fake” e insistiu no ataque à imigração ilegal.

Ján Kuciak e Martina Kusnírová foram encontrados mortos em casa, perto de Bratislava, a 26 de fevereiro de 2018.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.