Portugueses apresentam visões de "arte sem réplica" e "incertezas vivas" em São Paulo

| Cultura

Carla Filipe, Gabriel Abrantes, Lourdes Castro, Priscila Fernandes e Grada Kilomba desembarcaram no Brasil com obras selecionadas em duas exposições, em São Paulo, que tratam de temas distintos, as incertezas e a arte sem réplica.

A abertura da mostra "Arte sem Réplica", realizada na quarta-feira ao fim do dia, no Consulado de Portugal, em São Paulo, contou com a participação do ministro português da Cultura, Luís Castro Mendes.

Num breve discurso, Castro Mendes disse que as exposições apresentadas no Consulado e na 32.ª Bienal de Arte de São Paulo, que têm trabalhos dos cinco artistas portugueses, são complementares.

"Os temas encontram-se um na essência do outro, já que hoje a arte não pode mais conceber-se como uma reprodução do irreal, porque vivemos num mundo de incertezas. A arte seria, assim, uma fricção entre a criação e a realidade", afirmou.

Em seguida, a artista Priscila Fernandes apresentou uma `performance` inédita, chamada "Jardim da Gozolândia", na qual retratou uma visão sobre Cocanha, um país fictício cujas lendas foram disseminadas pela Europa, desde a Idade Média.

"É uma encenação e a leitura dos vários textos que existem sobre o país chamado Cocanha, ou, em português moderno, da Gozolândia, em que se retrata um lugar onde toda gente é feliz. Este mito nasceu no século XIII, mas na medida em que avançou pelos séculos mudou de sentido. No calvinismo, passou a ser visto com uma crítica ou como uma sátira da política. Conjugamos parte destes textos para fazer o público pensar", explicou.

Já sobre a obra que traz à Bienal de Arte de São Paulo, cuja peça principal é um filme gravado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, Priscila Fernandes relatou que partiu também do mito da Gozolândia para analisar as diferentes formas de lazer e como nos relacionamos, hoje em dia, com o tempo livre.

Carla Filipe, outra artista presente nas duas exposições, disse à reportagem que, para o Consulado, apresentou um livro de poemas visuais que fez num formato de obra única na Bienal de Jafre, em Espanha, compilado numa nova edição acrescida de outros poemas visuais inéditos.

Na Bienal, a inaugurar no sábado, Carla Filipe apresenta uma horta viva composta por Pancs (plantas alimentícias não convencionais) na qual debate temas como a migração e a exclusão.

"Propus um olhar sobre as Pancs pensando no urbano já que, na cidade, temos plantas disponíveis nas ruas que podemos comer e não sabemos. Preferimos ir ao mercado comprar comida industrializada", destacou.

A obra que Carla Felipe expõe na Bienal e o livro que apresentou no Consulado não têm o mesmo tema, mas, segundo ela, são formas de arte que trazem uma reflexão sobre o trabalho.

"Os poemas são realizados com as mãos. Para fazer uma horta também é preciso colocar as mãos na terra. Acho que temos aí uma reflexão sobre diferentes formas de trabalho", pontuou.

A artista Grada Kilomba, que, curiosamente, contou à Lusa que já expôs diversas vezes no Brasil mas nunca mostrou seu trabalho em sua terra natal, Portugal, apresentou no Consulado dois vídeos que fazem parte do projeto "Plantation Memories", de 2015.

Para a Bienal, Kilomba realizou outro `vídeo-instalação` que conta uma história em três atos diferentes, com o título "Projeto Desejo".

"Para entrar nesta instalação [a pessoa] tem de passar por dentro de um altar que é dedicado a escrava Anastácia, uma figura religiosa e política do movimento africano, que foi forçada a usar uma máscara na boca, por falar palavras de emancipação", relatou.

A artista segue descrevendo que o visitante parte deste mundo espiritual e da memória para chegar até à obra.

"O `vídeo-instalação` reflete o mundo digital e tecnológico. Apresento três histórias sobre quem pode falar, sobre o quê podemos falar e o que acontece quando falamos", concluiu.

A 32.ª Bienal de Arte de São Paulo, sob o tema "Incertezas Vivas", ficará patente até 11 de dezembro, no parque do Ibirapuera.

A mostra "Arte sem Réplica" também encerra em 11 de dezembro, mas acontece no Consulado Geral de Portugal em São Paulo.

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