Reeditada "Sangue Negro", a única antologia poética da moçambicana Noémia de Sousa

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A segunda edição do livro "Sangue Negro", único da poetisa moçambicana Noémia de Sousa, foi lançada na terça-feira, em Maputo, no dia em que a ex-jornalista da Lusa completaria 85 anos se fosse viva.

A edição de "Sangue Negro", que reúne mais de quatro dezenas de poemas, a maioria escritos entre 1949 e 1951, foi publicada pela editora Marimbique, do escritor moçambicano Nelson Saúte.

São cerca de quatro dezenas de poemas, a que se juntam outros dois, um datado de finais de 1986, em memória de Samora Machel, o primeiro Presidente moçambicano, e outro de 1991, em que se sentiu "obrigada" a regressar à escrita na sequência da morte, no espaço de três meses, das suas duas irmãs.

Noémia de Sousa sempre se recusou a ver os seus poemas compilados em livro -- "não tem interesse, esses poemas já fizeram todo o seu percurso" --, disse numa entrevista à Lusa.

Mas os amigos persuadiram-na a lançar "Sangue Negro" e, em 2001, o livro foi publicado sob a chancela da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).

No prefácio da obra, Nelson Saúte justifica a reedição do livro com o facto de, um dia, José Craveirinha, também amigo de Noémia de Sousa, lhe ter sugerido ser "um fiel servo da memória de todos os tempos", e com José Saramago, ao apelar a "conviver com os seus antepassados literários".

Nascida a 20 de Setembro de 1926 na Catembe, arredores de Maputo, Noémia de Sousa é considerada "mãe dos poetas moçambicanos", como o falecido autor e cantor português Zeca Afonso a definiu, pelo trabalho desenvolvido em apoio às gerações da independência do país.

"E nada mais me perguntes,/Se é que me queres conhecer.../Que não sou mais que um búzio de carne/ Onde a revolta de África congelou/ Seu grito inchado de esperança", descreveu-se a poetisa, em "Se me quiseres conhecer", escrito em 1958.

Noémia de Sousa, nome literário de Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares, iniciou-se no jornalismo em 1956, sempre na área da agência noticiosa.

A poetisa, que faleceu em Cascais a 04 de dezembro de 2002, figura em diversas antologias de poesia, nomeadamente no "Nunca mais é Sábado", organizada por Nelson Saúte.

"Se há um adjetivo que, à partida, pode caracterizar a criação poética de Noémia de Sousa, esse adjetivo é: emocionada", resume o académico moçambicano Francisco Noa, no posfácio da obra relançada terça feira na capital moçambicana.

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