Romance raro de Teixeira de Queirós disponível gratuitamente na Internet

| Cultura

A editora ArcosOnline, cujos livros estão apena s na Internet, disponibilizou hoje "O Salústio Nogueira", o mais conhecido roman ce de Francisco Teixeira de Queirós, que fica assim acessível a partir de qualqu er parte do mundo.

Hoje, quando se completam 157 anos sobre o nascimento de Teixeira de Qu eirós, a editora colocou, em www.arcosonline.com, um e-book (livro em formato el ectrónico), com posfácio de David Mourão-Ferreira, que descreve o romance como a obra-prima do autor português.

Victor Domingos, editor da Arcos Online, considera que a importância de sta edição se deve, "não só ao enorme valor artístico e patrimonial da obra, mas também ao facto de actualmente ser extremamente difícil encontrá-la nalguma bib lioteca ou livraria, quer em Portugal, quer noutros países".

O responsável afirma em nota de imprensa que "é a primeira vez que um r omance do escritor Teixeira de Queirós é distribuído em formato digital, para le itores de todo o mundo, e é também a primeira vez que uma obra sua desta dimensã o é oferecida aos leitores de forma inteiramente gratuita".

"Espera-se que esta reedição contribua para uma melhor divulgação da ob ra de Francisco Teixeira de Queirós junto do grande público, não só português, m as também a nível internacional", pois "os grandes romances que celebrizaram nou tros tempos o nome do autor das séries Comédia Burguesa e Comédia do Campo têm f icado de fora na estratégia comercial das actuais editoras portuguesas", acresce nta.

Victor Domingos recorda ainda, a propósito, que Camilo Castelo Branco e screveu, há cerca de 100 anos, que não havia em Portugal um número significativo de leitores com um nível cultural suficientemente elevado para desfrutar da lei tura de obras como "O Salústio Nogueira".

Além disso, António José Saraiva e Óscar Lopes, na sua "História da Lit eratura Portuguesa", comparam o talento deste escritor ao génio de Eça de Queiró s, sugerindo que na sua obra "a sátira da vida política nacional é talvez mais v erosímil e corajosa que a de Eça", destaca também o editor de Arcos de Valdevez.

O romance, cuja acção tem início em finais do século XIX, entre as elit es de Lisboa e o ambiente predominantemente rural da região de Braga, conta como o ambicioso Salústio Nogueira consegue, por via de pessoas influentes, o cargo de deputado que tanto ansiava.

Na mesma trama, a muito católica Angelina, filha de um humilde comercia nte e fervorosa amante de Salústio, aceita o convite que o deputado lhe faz e va i viver com ele para Lisboa, decepcionando os pais ao fugir de casa pela calada da noite sem nada dizer.

O editor Domingos Victor assinala que, apesar de "parecer enredo de tel enovela", o livro "traça um retrato rigoroso da sociedade do seu tempo, apontand o o dedo à corrupção" e é "uma das primeiras manifestações de um verdadeiro huma nismo feminista na nossa literatura", pois Salústio não é propriamente o herói d a narrativa.

O escritor Francisco Teixeira de Queirós (Arcos de Valdevez, 1849-1919) formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra em 1880 e, enquanto militant e do partido republicano, ocupou diversos cargos políticos.

Foi vereador em Lisboa por volta de 1885, deputado na legislatura de 18 93 e integrou as Cortes Constituintes em 1911 como deputado pelo círculo de Alde ia Galega (actual cidade do Montijo), cargo a que renunciou no mesmo ano, tendo ainda sido ministro dos Negócios Estrangeiros no primeiro governo presidido por José de Castro, em 1915.

Tendo demonstrado o seu interesse pela escrita ainda estudante, publico u, sob o pseudónimo Bento Moreno, duas séries de contos e romances, intituladas Comédia do Campo e Comédia Burguesa.

Essa organização, escolhida pelo autor para aquele que é considerado o conjunto mais significativo da sua obra, reflecte uma inspiração no modelo de Ba lzac, que se evidencia também ao nível do conteúdo, de cariz predominantemente r ealista/naturalista.

De Comédia do Campo fazem parte "Os Meus Primeiros Contos" (1876), "Amo r Divino" (1877), "António Fogueira" (1882), "Novos Contos" (1887), "Amores, Amo res..." (1897), "A Nossa Gente" (1899), "A Cantadeira" (1913) e "Ao Sol e à Chuv a" (1915).

A série Comédia Burguesa inclui "Os Noivos" (1879), "O Salústio Nogueir a" (1883), "D. Agostinho" (1894), "Morte de D. Agostinho" (1895), "O Famoso Galr ão" (1898), "A Caridade em Lisboa" (1901), "Cartas de Amor" (1906) e "A Grande Q uimera" (1919).

Fora destas duas séries, Teixeira de Queirós publicou ainda "O Grande H omem" (teatro, 1891) e "Arvoredos" (contos, 1895).

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