Vinte crianças inauguram acampamentos da Feira do Livro de Lisboa

| Cultura

As primeiras 20 crianças da iniciativa Acampar com Histórias, da 85.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, embarcaram na sexta-feira na aventura "campista" que se prolonga até hoje, na Estufa Fria, do Parque Eduardo VII.

A iniciativa vai repetir-se nas próximas sextas-feiras e sábados, até ao fim da Feira, e, como as inscrições iniciais se esgotaram, também no dia 09 de junho, véspera do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. No total, deverão participar nos sete acampamentos, 140 crianças, com idades compreendidas entre os oito e os dez anos.

No momento de entregar os filhos no projeto "Acampar com histórias", das Bibliotecas Municipais de Lisboa, em parceria com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), alguns pais confessaram à Lusa sentir "uma natural preocupação".

Cláudia Conceição, mãe de um dos participantes, acredita, porém, que esta é "uma iniciativa que os ajuda a criar autonomia, num período [dos oito aos dez anos] em que ainda têm muitos medos e o receio de dormir fora de casa".

A mãe considerou este acampamento "uma experiência `dois em um`, por se aliar à Feira do Livro", sublinhando que incute hábitos de leitura nos dois filhos, que participam, assim como os incentiva a visitar as bibliotecas.

"As bibliotecas têm agora muitas iniciativas, como horas de conto, e tentamos lá ir pelo menos uma vez por mês, trazendo sempre um livro para casa", acrescentou.

Catarina e Madalena, de 10 anos, e Vera, de nove, são três amigas que decidiram partilhar a experiência no "Acampar com histórias". Catarina foi clara e afirmou que não gosta de ler, apesar de se interessar por "livros de aventura, comédia e banda desenhada".

"Pode ser que agora passes a gostar [de ler]!", alvitrou com esperança a amiga Vera, que não consegue encontrar explicação para a sua paixão pela leitura, nem pelo dessinteresse da amiga. A Mafalda, ícone da banda desenhada, é a personagem comum ao gosto das três.

Este acampamento realiza-se pela primeira vez este ano, apesar de a ideia - "acampar em pleno Parque Eduardo VII" - já ter surgido no ano passado, contou à Lusa Susana Silvestre, chefe de divisão da Rede de Bibliotecas da Câmara Municipal de Lisboa.

A decisão de desenvolver esta atividade na Estufa Fria prende-se com "um casamento" dos objetivos traçados pela parceria APEL-Bibliotecas de Lisboa: "É o sítio ideal para ler, contar histórias e estar em convívio", e está no Parque Eduardo VII.

A responsável lamentou o facto de a "maior parte dos lisboetas não vir à estufa" e referiu haver a possibilidade de nunca o virem a fazer, se não fosse esta iniciativa.

Quanto às idades dos participantes, Susana Silvestre disse que se optou por "crianças com total autonomia, que pudessem ler, escrever e, assim, superar todos os desafios colocados".

"Quando divulgámos o evento, o primeiro grupo esgotou" em 24 horas, acrescentou.

Para o ano, "não haverá crianças repetidas" - crianças que tenham participado este ano -, garantiu Susana Silvestre, que quer manter o número de participantes, pois alargar o grupo em número pode comprometer "uma mediação direta" e o trabalho com as crianças.

Ao longo da iniciativa, os grupos são acompanhados por cinco monitores, "com dinâmicas [e currículos] diferentes", "habituados" a lidar com "pré-adolescentes, que têm um sentido crítico enorme".

Cada grupo ensaia um hino - criado previamente pelos monitores para ser cantado na Feira do Livro - e é a primeira atividade de interação entre as crianças e com os monitores, no sentido de criar uma maior coesão de grupo.

No plano de trabalhos seguem-se apresentações individuais, acompanhadas pela identificação de um animal escolhido por cada criança, algo que "expõe e as caracteriza, pois mostra a sua personalidade", explicou Susana Silvestre.

A organização da atividade não recolheu dados sociológicos dos participantes, nomeadamente as escolas e zonas da cidade de onde são originários.

"São de várias partes da cidade e até mesmo de fora do concelho de Lisboa, e alguns da área metropolitana de Lisboa", referiu Susana Silvestre.

Após uma visita à Estufa Fria e à Feira do Livro, o primeiro grupo teve oportunidade de estar em contacto com a escritora Susana Câmara, que apresentou o livro "O detetive Asa Branca e o menino que não conseguia chorar", e com o ilustrador João Rodrigues, numa oficina em ambiente "o mais intimista possível".

Seguiu-se um "peddy-paper" e, antes de adormecer, um dos monitores contou uma história. Hoje de manhã, e antes de voltarem para casa, as crianças são convidadas a criar um diário ilustrado que caracterize, "com imagens, palavras e objetos que recolham na Estufa", a experiência vivida, além de tomarem um pequeno-almoço no pavilhão das Bibliotecas Municipais.

Tópicos:

Acampar Histórias, Bibliotecas, Catarina Madalena, Editores,

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