Agricultores não fazem repercutir custos de produção no preço

| Economia

Os agricultores não conseguem fazer repercutir nos preços de venda o aumento dos custos à produção, revela a primeira publicação sobre Evolução dos Preços na Cadeia de Abastecimento Alimentar, hoje divulgada, aspeto também realçado pelo Secretário de Estado da Agricultura.

Segundo disse à Lusa o secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque, este relatório, que se baseia nos índices de preços de bens alimentares, mostra que "os preços na produção e no retalho têm evoluído de forma simétrica a nível genérico", ou seja, "quando [os preços] crescem no supermercado, crescem no produtor e quando descem no supermercado descem no produtor".

No entanto, adiantou o governante, as conclusões também indicam a incapacidade dos agricultores para conseguirem refletir no momento da venda a subida dos custos da produção.

"Verifica-se que os preços dos alimentos têm aumentado a um ritmo menor do que os custos de produção, que têm aumentado a um ritmo mais rápido, o que também tem a ver com o preço da energia", explicou José Diogo Albuquerque.

Uma conclusão, adianta, que está em linha com a análise da Autoridade da Concorrência, que considera que os contratos celebrados entre distribuidores e fornecedores revelaram "um desequilíbrio negocial entre as duas partes, com preponderância para os primeiros".

O estudo indica também que os preços dos bens alimentares tem vindo a crescer, desde 2009, a "um ritmo inferior à inflação", disse o secretário de Estado.

"Isto revela a importância que os bens alimentares têm tido na contenção geral dos preços ao consumidor, o que é conseguido com o sacrifício do rendimento agricultores", considerou.

Este estudo surge no seguimento da criação da Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar (PARCA), em finais de 2011, enquanto organismo tutelado pelo Ministério da Agricultura para reforçar a transparência na cadeia alimentar.

Os parceiros desta plataforma são CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), FIPA (Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares), a CENTROMARCA (Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca),a CIP (Confederação Empresarial de Portugal), a APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Tendo em conta as orientações desta plataforma, está desde hoje disponível (nos portais do Ministério da Agricultura e do Gabinete de Planeamento e Políticas) a primeira publicação trimestral Evolução dos Preços na Cadeia de Abastecimento Alimentar, da responsabilidade do Gabinete de Planeamento e Políticas em colaboração com a Direção-Geral das Atividades Económicas.

De acordo com o secretário de estado da Agricultura, este relatório é ainda "relativamente genérico", mas a próxima publicação, em julho ou agosto, já será mais específica, dando a conhecer os preços no produtor e no retalho de cinco tipos de produtos: azeite, arroz, frutas e hortícolas, carne e leite.

"Posteriormente, vamos trabalhar mais com o INE [Instituto Nacional de Estatística] e com as organizações para termos mais informações em termos de margens", adiantou o governante.

Questionado sobre se o Governo vai propor alterações de legislação para promover relações mais justas entre produção e distribuição, José Diogo Albuquerque disse que tanto o ministérios da Agricultura como da Economia estão a analisar os contributos de melhoria das organizações parceiras da PARCA, para que mais tarde sejam tomadas decisões legislativas.

Já para outubro, o Governo vai avançar -- em linha com a possibilidade aberta pela Comissão Europeia - com "contratos obrigatórios entre a produção e a indústria" no leite.

Tópicos:

CAP Confederação, Indústrias Agro Alimentares,

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