Barragem pode mitigar subida de temperatura prevista para o Douro

| Economia

A Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID) considerou hoje que a construção da Barragem de Foz Tua pode constituir um fator de mitigação da subida de temperatura prevista para o Douro.

A ADVID divulgou, em comunicado, o seu parecer sobre o impacto do aproveitamento hidroelétrico de Foz Tua (AHFT) na produção de vinho, que foi solicitado pela missão da UNESCO que visitou o Douro neste verão.

Para avaliar "in loco" os impactos decorrentes da construção da barragem no Património Mundial, uma missão da UNESCO, composta por três especialistas, esteve no Douro entre 30 de julho e 03 de agosto.

"Em termos estritos de produção vitivinícola, tudo leva a crer que o impacto, causado pela construção do AHFT no conjunto da área total de vinha classificada como património mundial, será inferior ao causado pelas alterações climáticas previstas nos cenários avaliados pelo estudo", afirmou a associação.

A ADVID está a avaliar o impacto das alterações climáticas na produção de vinho na região demarcada, num projeto que inclui um estudo desenvolvido pelo especialista internacional Gregory Jones e que aponta para "um aumento significativo" da temperatura do ar.

Para a associação, "a criação de uma massa de água, do ponto de vista climático, pode constituir um fator de mitigação da subida de temperatura estimada". A água disponível para rega poderá contribuir também para minimizar os efeitos das alterações climáticas.

Em sentido contrário, acrescentou, poderá funcionar a estimativa de aumento de dias com nevoeiro, o qual não deverá ser superior ao atualmente verificado nas zonas vitícolas adjacentes às barragens da Régua e da Valeira e também inseridas no Património Mundial.

A ADVID nota, no entanto, que os produtores com explorações localizadas nas áreas adjacentes à albufeira e barragem em construção "irão sofrer danos ou impactos não negligenciáveis em termos de gestão paisagística, que poderão reduzir o valor da vinha e do seu produto, bem como a sua capacidade de potenciar os benefícios de uma atividade turística associada à produção de vinhos".

A estes impactos negativos acrescem, segundo a ADVID, os que estão relacionados com as linhas de transmissão aéreas e estruturas associadas que se mantenham visíveis na paisagem.

A barragem e respetiva albufeira encontram-se inseridas na sub-região Cima Corgo, que representa 46 por cento (20.816 hectares) da área de vinha da Região Demarcada do Douro (45.215 hectares).

A área de vinha que ficará submersa representa 0.06 por cento da área de vinha da sub-região onde está inserida.

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