Berlim ameaça cancelar cimeira se Londres quiser vetar o orçamento da UE

| Economia

Merkel vai dizer a Cameron com o veto britânico não haverá cimeira sobre o orçamento europeu
|

Angela Merkel ameaça fazer cancelar a próxima cimeira sobre o Orçamento Europeu se o primeiro-ministro britânico insistir em vetar qualquer acordo que não seja o de um congelamento total das despesas. O orçamento tem implicações importantes para Portugal e os outros países economicamente mais fracos pois representa o principal mecanismo de redistribuição de riqueza no seio da União Europeia.

A edição de hoje do Financial Times cita fontes próximas das negociações que garantem que a chanceler alemã não vê motivos para realizar a cimeira do mês que vem se a Grã-Bretanha continuar disposta a vetar qualquer acordo.

“A Sra. Merkel está a fazer grandes esforços para convencer David Cameron a apoiar uma proposta de compromisso da Alemanha, que limitaria o crescimento das despesas orçamentais da UE a 1 por cento do produto interno bruto da união”, escreve o Financial Times, recordando que a Comissão Europeia tinha proposto um valor de mais de um bilião de euros para o período entre 2014 e 2020, ou seja, 1,1 por cento do PIB da EU.
Intransigência britânica
No entanto o primeiro-ministro britânico tem-se mostrado intransigente e garante que vetará qualquer acordo que envolva um aumento dos gastos da União.

“Se não houver um acordo que seja bom para a Grã-Bretanha, não haverá acordo”, disse David Cameron após a cimeira europeia da semana passada, “ não podemos deixar que os gastos europeus subam cada vez mais quando estamos a ser obrigados a tomar decisões difíceis em tantas áreas diferentes”.

Nas negociações que se têm vindo a realizar em privado, outros altos-responsáveis do governo britânico tem vindo a martelar a mesma mensagem. Numa reunião recente para discutir o orçamento, o embaixador da Grã-Bretanha mostrou-se pessimista quanto a um acordo em novembro, dizendo que seria um verdeiro feito conseguir “iniciar discussões” genuínas, e que mesmo esse modesto objetivo estava longe de estar assegurado.

Berlim garante que respeitará à letra a sua proposta de compromisso  e que não deixará que ela sirva de  partida para aumentos maiores nas verbas do orçamento, mas as fontes citadas pelo Financial Times dizem que Angela Merkel não está otimista quanto às possibilidades de convencer os britânicos.
Cimeira em dúvida?
Será num encontro bilateral, previsto para o início de novembro, que Merkel tenciona dizer a David Cameron que não vale a pena haver cimeira se ele insistir num veto.

Os responsáveis da União Europeia não duvidam de que Cameron será recebido em casa como um herói por bloquear o orçamento, especialmente pela fortíssima ala eurocética do Partido Conservador britânico.

Bruxelas tem vindo a avisar a Grã-Bretanha de que haverá consequências diplomáticas muito negativas de um eventual veto, especialmente porque este teria lugar menos de um mês antes da cimeira europeia destinada a criar a união bancária da UE.

Em declarações recentes, David Cameron manifestou também a intenção de explorar as negociações que decorrem para uma maior integração da Zona Euro, a fim de obter concessões para a Grã Bretanha e obter uma associação "mais livre" entre o seu país e a UE.
"Excecionalismo" britânico
Muito países não vem com bons olhos este perpétuo desejo de “excecionalismo” por parte da Londres. O ministro finlandês para as questões Europeias disse na semana passada que a Grã-Bretanha parecia apostada em dizer “bye bye” à UE, e que havia pouco que os restantes membros pudessem fazer para impedir isso de acontecer.

A própria Angela Merkel gostaria que a questão do orçamento europeu fosse resolvida na cimeira prevista para 22 e 23 de novembro, a fim de abrir caminho às próximas negociações sobre a crise da Zona Euro que se realiza no mês seguinte.

A proposta de compromisso apresentada pela Alemanha desfruta do apoio de, pelo menos, outros seis Estados da União, a Holanda, Suécia, Dinamarca , Áustria, Finlândia e República Checa.

O grupo dos países que defendem a contenção dos gastos orçamentais da Europa inclui também a França e a Itália, mas o apoio destes últimos países à proposta germanica é visto como menos certo.
Amigos da frugalidade vs Amigos da Coesão
A este grupo de "amigos da frugalidade", composto por países que são contribuidores líquidos para o orçamento comunitário (com exceção da República Checa),  opõe-se o grupo dos Amigos da Coesão, uma associação informal de 17 países, encabeçada pela Polónia e .
onde se inclui Portugal.

Os Amigos da Coesão recusam-se a aceitar que o envelope dos fundos de coesão, (que representam cerca de 40 por cento do total do orçamento europeu), seja prejudicado pela austeridade e alegam que nem sempre os países beneficiários os conseguem utilizar na íntegra os fundos a que têm direito.

O envelope global do orçamento da União Europeia é decidido para sete anos. Em Julho, a Comissão Europeia propôs um orçamento para 2014-2020 que visava levar em conta a adesão da Croácia e previa um aumento de cerca de cinco por cento em relação ao período 2007-2013.

Tópicos:

Alemanha, Amigos da Coesão, Angela Merkel, David Cameron, Reino Unido, União Europeia, fundos de coesão, Orçamento europeu,

A informação mais vista

+ Em Foco

Uma sondagem da Universidade Católica aponta para o fim da hegemonia laranja na Madeira, apesar da vitória do PSD nas regionais (38%) do próximo domingo.

Na semana em que se assinala o início da II Guerra Mundial, a RTP conta histórias de portugueses envolvidos diretamente no conflito.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.