China ganha peso na economia portuguesa

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O investimento direto estrangeiro em Portugal continua dominado por países da União Europeia, mas a China ganha terreno como “parceiro significativo”.

O estudo da AESE (Escola de Direção e Negócios) vem concluir que a China se está a assumir como “um parceiro económico muito significativo para Portugal”.

Só recentemente o investimento chinês está a assumir proporções relevantes. No primeiro trimestre de 2014, atingiu mesmo o 9º lugar no ranking do Investimento Direto Estrangeiro em Portugal. Face de 2009, o Brasil foi mesmo destronado do "Top 10" por países como a China e Angola. Perante os números de hoje, o estudo fala de uma "notória dinâmica crescente de relações comerciais, sobretudo no sentido China-Portugal".
Em 2013, o investimento direto chinês em Portugal, em termos brutos, foi de 157,8 milhões de euros, de acordo com dados do Banco de Portugal.
Os negócios estão longe do que era a realidade em meados dos anos 2000, altura em que começaram a aparecer, um pouco por todo o lado, pequenas lojas e restaurantes chineses. E estão, porventura, no extremo oposto do longínquo ano de 1514, quando os primeiros barcos portugueses chegaram à costa chinesa, ganhando durante 60 anos o monopólio das trocas comerciais com aquela região.

Mas, por essa razão, avança ainda o estudo, Portugal surge no contexto europeu com uma posição privilegiada de parceiro de negócios mais antigo da China, algo que é valorizado naquele país asiático, a par das boas relações que surgiram ao longo de séculos em que os portugueses geriram o território de Macau.

Chineses aproveitaram privatizações

O estudo da AESE realça que os investidores chineses “têm sabido tirar partido de forma muito eficaz dos processos de privatização que o governo português tem lançado”.

Destacam-se, em termos de negócio, os investimentos na EDP (2,7 mil milhões de euros, em 2011) e REN, acompanhados de um forte apoio por parte de entidades financeiras chinesas, a compra do negócio dos seguros da Caixa Geral de Depósitos pela Fosun e a instalação do Bank of China, do ICBC (Industrial and Commercial Bank of China) e da Huawey no país.

O estudo realça o interesse do Governo Português em captar capital chinês, sobretudo num ambiente pós-troika, mas também do lado das empresas nacionais se percebe que encaram um parceiro com a dimensão das grandes empresas chinesas como uma vantagem estratégica de longo prazo.

Portugal é “porta de entrada”


Os chineses parecem ver o território nacional não tanto como um destino final mas, sobretudo, como uma espécie de “porta de entrada”, conforme a expressão usada no estudo da AESE, especialmente para os países de língua portuguesa.
Em 2013, os vistos Gold representaram um investimento em Portugal de 307 milhões de euros, valor que deverá triplicar este ano, de acordo com as autoridades portuguesas.
No entanto, no último ano, a área do imobiliário de luxo tem vindo a assumir-se como um importante veículo de investimento chinês. A mesma ideia de “porta de entrada” pode até ser aplicada. Os chamados “Vistos Gold”, lançados em Portugal no final de 2012, atribuem residência a quem investir pelo menos 500 mil euros em imobiliário. Uma via para os cidadãos chineses terem acesso ao Espaço Schengen e conseguirem livre circulação no espaço europeu. Os chineses surgem destacados no ranking dos pedidos de “Vistos Gold” (80% dos pedidos, fonte SEF) e o setor do imobiliário tem recolhido dividendos disso mesmo. Um exemplo do forte interesse e entusiasmo chinês neste setor, é o lançamento de um fundo destinado a “investidores qualificados e privados com origem na China”.
Competitividade em Portugal "aumentou de forma expressiva"

O recente Global Competitive Index 2014-2015, elaborado pelo World Economic Forum, mostrou uma forte recuperação na avaliação da competitividade da economia portuguesa. Entre as 144 economias estudadas, Portugal ocupa a posição 36ª, subindo 15 posições relativamente ao ano passado.

A investigação da AESE, assinada por Adrián Caldart e suportada por estes e outros dados de organismos internacionais e por um estudo sobre a opinião de dirigentes das principais empresas portuguesas, vem sugerir que, durante o triénio 2011-2013, que denominam como "era da troika", a "competitividade de Portugal e das suas empresas aumentou de forma expressiva, após vários anos nos quais observámos precisamente a tendência oposta".

O estudo "Internacionalização e o Investimento como 'drivers' do crescimento", conclui ainda que o volume e a natureza dos investimentos estrangeiros têm contribuído para melhorar o panorama nacional no plano de sofisticação e inovação, potenciando assim as exportações.

Além do crescimento do interesse chinês em Portugal, a Escola de Direção e Negócios destaca igualmente o investimento angolano em Portugal, que cresceu 35 vezes na última década.

De qualquer modo, são ainda os países europeus os que mais investem em Portugal, com um claro predomínio de Espanha, França e Reino Unido. Em contrapartida, assiste-se a um retrocesso da Alemanha enquanto investidor ao longo do tempo.

(c/Lusa)

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