Estratégias negociais da Grécia foram levadas ao "extremo"

| Grécia - Dias decisivos
Estratégias negociais da Grécia foram levadas ao extremo

Foto: Pedro A. Pina/RTP

Paulo Sande e Bernardo Pires de Lima debatem a situação atual na Grécia e analisam os possíveis desfechos à luz do novo acordo de última hora apresentado pela Comissão Europeia.

Para Paulo Sande, antigo diretor do Parlamento Europeu em Portugal, considera que a última proposta apresentada por Jean-Claude Juncker vem "retirar força" à principal mensagem do Governo grego, que falava na grande inflexibilidade por parte da União Europeia.

O professor de Ciência Política acrescrescenta que os parceiros mostraram flexibilidade na questão fraturante da dívida grega, uma exigência antiga por parte do Executivo de Alexis Tsipras.

Bernardo Pires de Lima, investigador no Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, considera que a inversão no apoio do "não" pelo "sim", exigida no novo acordo, é muito improvável.

Mas, no "jogo" de pressão que vem surgindo "de parte a parte" ao longo dos últimos meses, tudo é "imprevisível" e poderá haver uma reviravolta.

Os dois especialistas concordam que as tácticas negociais do Governo grego foram levadas "ao extremo". Paulo Sande argumenta que o referendo sobre as medidas de austeridades serão votadas por uma população que não as conhece.

Bernardo Pires de Lima diz que o cenário de eleições antecipadas na Grécia é o mais provável, independentemente do resultado no referendo. Nesse caso, a flexibilidade conquistada aos credores na questão da dívida poderá ser um trunfo para "conquistar o eleitorado".

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