Ex-trabalhadores das Minas da Urgeiriça dizem que indemnizações estão por pagar

| Economia

O presidente da Associação dos ex-trabalhadores das minas de urânio defendeu esta quarta-feira que a luta ainda não está concluída, faltando concretizar o pagamento das indemnizações às famílias daqueles que morreram por exposição à radioatividade na Urgeiriça.

"Ainda há uma situação grave para resolver: o Estado de Direito tentou minimizar e cedeu a alguns compromissos, mas não concluiu toda esta situação. Falta ainda pagar as indemnizações", disse António Minhoto.

Os antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU) - com sede na Urgeiriça, no concelho de Nelas - lutam há vários anos para que sejam pagas indemnizações aos familiares dos colegas que morreram com cancro, por exposição à radioatividade.

Durante a conferência "Exploração de Minas de Urânio na Região de Viseu", que decorreu durante a tarde de hoje no Museu do Quartzo, António Minhoto recordou que é também necessário proceder à requalificação de antigas minas de urânio, que ainda não foram descontaminadas.

"Ainda falta desbravar algum terreno para que a justiça seja feita", referiu, apontando que o "Estado tem de cumprir os seus deveres".

Ao longo da sua intervenção, o antigo trabalhador da ENU aludiu ao que considera terem sido alguns crimes praticados ao longo dos anos em que se procedeu à exploração de urânio nas Minas da Urgeiriça.

"Não pode ser ignorado que era deitado ácido sulfúrico nas minas para extrair o urânio, que os trabalhadores levavam para suas casas os fatos de trabalho cheios de radioatividade ou que levavam os alimentos e os pousavam em cima de madeira nas minas cheia de radioatividade", descreveu.

O professor do Instituto Politécnico de Viseu Luís Simões realçou que a relação entre a exposição à radioatividade e doenças mortais "está cientificamente estabelecida".

"Só ignora quem quer, mas estão perfeitamente estabelecidas as causas/efeitos entre a dose de radioatividade, exposição e neoplasias. Mas é mais fácil mandar fazer mais um estudo, com mais um grupo de trabalho e conclusões que vão ser contestadas ou ignoradas", sustentou.

Na sua opinião, há uma falta de vontade política em assumir o legado ambiental resultante da exploração das minas.

O docente frisou ainda que os problemas da radioatividade "extravasam largamente a Urgeiriça".

"Este é um problema de saúde pública que afeta áreas do norte e centro de Portugal", acrescentou.

Durante o evento foi também apresentado o livro "A Vida dos Trabalhadores de Urânio", da autoria de Carlos Mota Veiga.

A obra traça o contexto histórico e social de uma região, assim como os riscos e consequências na saúde de quem trabalhou com material radioativo.

Tópicos:

Minas, Politécnico Viseu, Quartzo,

A informação mais vista

+ Em Foco

A primeira-ministro britânica descarta um segundo referendo, por considerar que não vai solucionar a encruzilhada que o Reino Unido enfrenta.

Xi Jinping passou dois dias em Lisboa, na primeira visita de Estado a Portugal desde que é Presidente da República Popular da China. Foram assinados vários acordos bilaterais.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      O processo de degelo na Gronelândia acelerou substancialmente nas últimas décadas. Os investigadores alertam para o perigo da subida do nível da água do mar.