Gestão sustentável permitia aumentar capturas, receitas e emprego nas pescas

| Economia

Portugal poderia aumentar a quantidade de peixe capturado, as receitas obtidas e o número de postos de trabalho no setor pesqueiro se fizesse uma gestão baseada na sustentabilidade dos recursos, concluiu um estudo hoje divulgado.

O trabalho, publicado pela Fundação para a Nova Economia (NEF, na sigla em inglês), analisou 221 frotas da União Europeia (UE), incluindo portuguesas, e revela que "permitir que as populações de peixe alcançassem o rendimento máximo sustentável representaria para Portugal mais 2.615 toneladas de desembarques, mais 7,6 milhões de euros de receitas e mais 660 postos de trabalho".

Aquela quantidade adicional de capturas seria "suficiente para responder ao consumo de pescado anual de 42.804 cidadãos portugueses ou 113.710 cidadãos europeus", acrescenta uma informação da NEF.

Já a redistribuição das quotas de pesca na UE permitiria obter "mais 824 milhões de euros de receitas e mais 102 mil postos de trabalho".

Por outro lado, "a não recuperação das unidades populacionais de peixe nos últimos cinco anos representou uma perda de 8,6 milhões de toneladas de capturas pesqueiras e de 7,1 mil milhões de euros" na UE, refere o estudo.

Estes dados resultaram da aplicação do Modelo Bioeconómico para Frotas Europeias, desenvolvido pela NEF, com a colaboração de académicos e de várias instituições europeias e hoje lançado, tendo analisado frotas que cobrem 73% do total de desembarques da UE.

Aquele modelo examina a forma como a recuperação das unidades populacionais de peixes do Atlântico Norte para níveis sustentáveis altera vários parâmetros, como desembarques, receitas, emprego, rentabilidade, salários e emissões de carbono.

"Atribuir uma maior quota às frotas que asseguram mais postos de trabalho por tonelada de peixe desembarcado geraria mais 102 mil postos de trabalho em relação ao atual modelo padrão de distribuição", na UE, exemplifica.

Seriam igualmente obtidos mais dois milhões de toneladas de peixe por ano, "o suficiente para suprir as necessidades anuais de 89,2 milhões de cidadadãos da UE", assim como "mais 8.273 euros em salários para os trabalhadores das pescas todos os anos".

"Os ministros da UE estão a desperdiçar um potencial económico significativo ao falharem na gestão sustentável de um recurso ambiental fundamental", alerta o responsável pela área da Economia Ambiental na NEF, citado na informação.

Aniol Esteban defende que os Estados-membros da UE "podem obter mais peixe, mais lucros e mais empregos se aplicarem dois requisitos elementares da Política Comum das Pescas: a recuperação das unidades populacionais de peixe e a inclusão de critérios sociais e ambientais na distribuição das quotas pelas frotas pesqueiras".

Apesar de reconhecer terem-se registado melhorias na situação de alguns `stocks` de peixe, Aniol Esteban não deixa de recordar que "os ministros das pescas da UE estabeleceram, em dezembro do ano passado, limites de pesca para 2015 acima do aconselhado nos pareceres científicos para 63% dos casos".

EA // SO

Lusa/Fim

Tópicos:

Ambiental, Bioeconómico Frotas, Comum,

A informação mais vista

+ Em Foco

Em Pedrógão Grande, dois anos depois dos incêndios, quase só os estrangeiros são atraídos para a região.

Uma equipa da RTP acompanhou o curso dos novos seguranças pessoais, "sombras" de quem protegem.

Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

    Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.