Governo desafia empresas da construção e imobiliário para "cooperação triangular"

| Economia

O Governo desafiou hoje empresas portuguesas da área da construção e do imobiliário a adotarem uma estratégia de "cooperação triangular", aproveitando o conhecimento que têm do setor para conquistarem financiamentos estrangeiros, indicou o Secretário de Estado da Internacionalização.

"Vamos identificar o potencial que existe, ver que financiamento estrangeiro existe e desafiar empresas portuguesas a fazer candidaturas em mercados, seja através de parcerias, seja com cofinanciamentos", explicou Jorge Costa Oliveira.

O governante falava aos jornalistas no Porto, após um encontro na Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) com cerca de 40 empresas promovido pela Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), e no qual foi debatido o tema "Internacionalização: Planeamento e Informação Estratégica para as Empresas do Setor da Construção e do Imobiliário".

Jorge Costa Oliveira não pormenorizou quais os projetos em causa, nem datas para entrega de candidaturas, mas avançou que uma das empreitadas "com interesse e potencial" está localizada no Dacar e envolve "forte financiamento do Banco Europeu de Investimentos".

"Vamos trabalhar conjuntamente para identificar oportunidades (...). Há projetos com financiamento internacional que estão em cima da mesa e poderão surgir parcerias tão breve quanto possível", disse o governante, admitindo que "as empresas portuguesas têm conhecimento e uma grande capacidade de adaptação ao terreno, mas têm muitas vezes ou escassez de capital ou dificuldade em obter financiamento".

A secretaria de Estado da Internacionalização realizou recentemente "missões" na China e no Irão, tendo convidado a CPCI, cujo presidente, Reis Campos, avançou que na reunião de hoje ficou a ideia de vir a ser realizada ainda este ano uma viagem a Cuba, igualmente para reconhecimento de mercado.

Sobre o desafio para a "cooperação triangular", Reis Campos apontou que "as parcerias fazem todo o sentido", vincando que "os esforços que as empresas fazem, tornam-nas mais fortes".

Já sobre eventuais preocupações manifestadas pelos empresários ao representante da tutela, o presidente da CPCI admitiu que "a situação mais delicada em mercados como o de Angola ou de África em geral" foi abordada na reunião.

Dados da CPCI apontam que o setor do imobiliário e construção representa no volume de negócios no exterior de 10,4 mil milhões de euros, o que corresponde a 16,6% do volume de negócios de Portugal.

Desses 10,4 mil milhões, 63% corresponde ao mercado africano, estando metade ligado a Angola, de acordo com dados de dezembro de 2014.

"Disse-nos [referindo-se ao secretário de Estado] que esteve reunido com o Banco Nacional de Angola e está a fazer esforços para resolver problemas como salários e pagamentos. África para nós é um mercado significativo, ainda que hoje perspetivemos outros países importantes como Peru, Chile, Colômbia, Cuba, Paraguai e Uruguai. E faz todo o sentido que a Europa seja também um mercado prioritário para o nosso setor", concluiu Reis Campos.

 

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