Interligações elétricas motivam cimeira entre Portugal, Espanha e França

| Economia

As interligações elétricas entre Espanha e França são o motivo da cimeira tripartida Espanha-Portugal-França, esta quarta-feira em Madrid, mas o recente protesto de Lisboa e Madrid à Comissão Europeia sobre a Grécia poderá dominar a agenda política.

O chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, será o anfitrião de uma cimeira que junta o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, o presidente francês, François Hollande, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Os três Estados-Membros estão alinhados na necessidade de Bruxelas incluir na lista de Projetos de Interesse Comum (PIC) várias novas interligações elétricas entre Espanha e França, aumentando a capacidade de exportação de eletricidade da Península Ibérica para o resto da Europa.

Assim, Espanha e França deverão anunciar três novos projetos fronteiriços de interligação elétrica, que elevarão para 8% a capacidade de exportação elétrica península para a Europa.

Fonte ligada às negociações disse à agência Lusa que estes três projetos incluem uma nova interligação por via marítima (cabo submarino no Golfo da Biscaia) e dois outros através dos Pirinéus.

As três interligações vão entrar na lista de PIC para que possam ser candidatos a financiamentos: verbas do Banco Europeu de Investimento (BEI) - cujo presidente estará em Madrid na cimeira - e/ou de fundos comunitários como o "Connecting Europe Facility".

As interligações elétricas Espanha-França assumem grande importância para Portugal, que independentemente das ligações com o país vizinho tem de contar com a ligação através dos Pirinéus para poder exportar para o resto da União Europeia eletricidade gerada a partir de energias renováveis.

No entanto, o encontro acontece poucos dias depois da mais recente polémica entre Portugal, Espanha e o governo da Grécia, liderado por Alexis Tsipras.

O primeiro-ministro grego afirmou que Portugal e Espanha, ou as "forças conservadoras europeias" minaram "cada passo" rumo a um acordo entre a Grécia e o Eurogrupo, para evitar que o exemplo grego criasse escola.

Na sequência, Lisboa protestou junto da Comissão Europeia e do Conselho Europeu - uma iniciativa à qual Madrid se juntou, disse no domingo à agência Lusa fonte do executivo espanhol.

Já depois de Mariano Rajoy ter dito que a Espanha e os espanhóis "não têm culpa das frustrações do Syriza, por ter prometido aquilo não podia", Tsipras afirmou que as suas declarações, perante o comité central do seu partido, tinham sido mal interpretadas.

Já Pedro Passos Coelho afirmou na segunda-feira que a "postura exigente" de Portugal para que a Grécia cumpra as suas obrigações não pode, "a nenhum título", ser considerada como uma tentativa de derrubar ou conspirar contra Governos.

Já hoje, o ministro da Economia de Espanha, Luis de Guindos, afirmou que os Estados-membros estão a trabalhar num novo resgate à Grécia, que poderá passar por uma ajuda de 30, 40 ou mesmo 50 mil milhões de euros.

Num encontro que terminará com uma conferência de imprensa conjunta, às 18:45 (hora de Lisboa), poderá ser a Grécia - mais uma vez - marcar as declarações políticas finais, deixando para segundo plano um conjunto de projetos elétricos de importância para a "União Energética" da Europa.

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