Jardim Gonçalves não abre mão a 200 mil euros mensais de pensão

| Economia

Jardim Gonçalves alvo de uma ação em tribunal do banco de que foi presidente durante 20 anos
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O Banco Comercial Português (BCP) tem hoje no Tribunal de Sintra uma derradeira tentativa para tentar convencer o juiz de que são válidos os seus argumentos para baixar o valor da reforma mensal de cerca de 200 mil euros atualmente paga a Jardim Gonçalves. O banco quer deixar ainda de pagar ao seu antigo presidente os custos de transporte em avião privado, guarda-costas, motoristas e automóveis. Jardim já respondeu a esta ação intentada pelo BCP com um pedido de reembolso das despesas e respetivos juros.

Advogados do BCP e de Jardim Gonçalves têm hoje no Tribunal de Sintra uma derradeira tentativa para convencerem o juiz de que os seus argumentos são os mais válidos perante a ação do BCP de querer reduzir o valor da pensão ao seu antigo presidente.

JARDIM GONÇALVES
Filho de Agostinho Carlos Gonçalves, comerciante, e de Maria Bernardete Estêvão de Sousa Jardim, Jardim Gonçalves viveu na Madeira até se estabelecer no Porto onde se licenciou em Engenharia Civil na Faculdade de Engenharia em 1961 com a classificação final de quinze valores.
Em 1974 é forçado a abandonar o país e fixa-se em Madrid onde exerce funções diretivas na Companhia de Gestão e Indústrias do Banco Popular Espanhol sendo ainda na capital espanhola que conhece e adere à Opus Dei. Regressou a Portugal em 1977, depois de ser nomeado para o Conselho de Gestão do Banco Português do Atlântico, a convite do então Ministro das Finanças, Henrique Medina Carreira, bem como na sequência do apelo feito por Ramalho Eanes, então Presidente da República. Em 1979 é nomeado presidente do Conselho de Administração do Banco Português do Atlântico e do Banco Comercial de Macau.
Em 1985 inicia a sua ligação ao Banco Comercial Português, instituído nesse ano, ao qual preside até março de2005 passando depois a exercer funções de presidente do Conselho Geral e de Supervisão e de presidente do Conselho Superior até 2008.
A atual administração do BCP pretende que Jardim Gonçalves deixe de receber o valor de 174.857,83 euros de pensão para passar a receber o valor de 46.429,00 euros, o que corresponde ao nível mais alto da reforma atualmente paga pelo banco a antigos administradores.

Mas o valor da reforma de Jardim Gonçalves sobe ainda uns milhares de euros e ultrapassar os 200 mil euros graças a um complemento de reforma feito pela companhia seguradora Ocidental.

Na ação contra o seu antigo presidente o banco junta ainda mais duas exigências: a primeira acabar com o pagamento a Jardim Gonçalves de segurança pessoal, avião privado e automóveis e a segunda que, em caso de morte, a sua mulher não receba 100 por cento da reforma, mas apenas 60 por cento como acontece com todos os outros reformados do banco.

Refira-se que o banco deixou de pagar as despesas apresentadas por Jardim Gonçalves em janeiro de 2010, mas, mesmo assim, o antigo presidente do BCP apresentou em maio desse ano ao banco faturas com despesas no valor de 464 mil euros com segurança e avião particular, em julho do mesmo ano faturas com despesas no valor de 159 mil euros com segurança, viaturas e alimentação e em setembro, ainda do mesmo ano, de 141 mil euros com segurança, alimentação, automóveis e uma viagem a Nova Iorque.
Ação do BCP contra despesas de Jardim Gonçalves No entanto, a ação que o banco intentou contra Jardim Gonçalves tem como principal objetivo o pagamento dos valores das despesas que o antigo presidente do BCP recebeu do banco até final de 2009.

Recorde-se que durante 16 anos Jardim Gonçalves terá recebido, só em participações nos resultados do BCP qualquer coisa como 94,8 milhões de euros, não estando claro contabilizados os salários entre 1985, ano em que entrou no banco, e março de 2005, ano em que se reformou, nem os vencimentos recebidos de 2005 a 2007 quando exerceu funções de presidente do Conselho Geral e de Supervisão e do Conselho Superior do BCP.

O dia de hoje é o último dado pelo juiz da Grande Instância Cível do Tribunal de Sintra para que as duas partes cheguem a um entendimento extrajudicial num tribunal arbitral que poderia ter como palco os julgados de paz em Sintra.

Mas esta hipótese é vista como muito remota por parte do BCP que não acredita num acordo com o seu antigo presidente que até hoje nunca se mostrou disponível para negociar os valores da sua reforma.
Equipa de Jardim ganha 6,5 milhões no BCPSendo verdade que o BCP já tem novas regras para a atribuição de reformas aos administradores, isso não implica alterações na equipa de administradores do tempo de Jardim Gonçalves que vai continuar a receber qualquer coisa como 6,5 milhões de euros em reformas.

Como as alterações aprovadas na Assembleia Geral do BCP vão incidir apenas sobre as pensões atribuídas a partir daquela data, isso significa que as antigas regras as pensões vão continuar a ser válidas para os antigos administradores Filipe Pinhal, Paulo Teixeira Pinto, Alexandre Bastos Gomes, Alípio Dias e Christopher de Beck.

Os ex-vice presidentes Filipe Pinhal e Christopher de Beck ganham mais de 70 mil euros mensais, enquanto as reformas dos outros três gestores estão entre os 30 e os 45 mil euros mensais.

Recorde-se que todos estes gestores saíram do banco no seguimento da crise de poder que se abateu sobre a instituição e à excepção de Jardim Gonçalves todos eles abandonaram o cargo em 2007.

Tópicos:

BCP, Jardim Gonçalves, Tribunal de Sintra, automóveis, avião privado, guarda-costas, juiz, motoristas, Banco Comercial Português,

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