Madrid permite à Repsol explorar petróleo ao largo das Canárias

| Economia

O governo espanhol concluiu hoje o processo que autoriza a energética Repsol a explorar petróleo ao largo das ilhas de Fuerteventura e Lanzarote, no arquipélago das Canárias, apesar da oposição do governo local, que receia o impacto no turismo.

As explorações petrolíferas iniciais na área, feitas em 2001, mas que o Supremo Tribunal embargou em 2004, revelaram a existência de diversos poços, a cerca de 70 quilómetros da costa, perto da fronteira marítima com Marrocos, que já começou a explorar petróleo na região.

A vice-primeira-ministra espanhola, Soraya Sáenz de Santamaría, anunciou hoje que o Conselho de Ministros permitiu, depois de reforçadas as medidas de proteção ambiental, o início da prospeção petrolífera em zonas a cerca de 60 quilómetros da costa das Canárias.

No seguimento da decisão de Madrid, a Repsol anunciou que deverá iniciar as primeiras sondagens em finais de 2014 para avaliar o potencial da zona, antes de tomar uma decisão de investir em novos poços, em 2016.

Se o processo decorrer sem interrupções, as Canárias poderão começar a produzir petróleo entre 2019 e 2020.

No consórcio com a Repsol estão a australiana Woodside Petroleum, que tem 30 por cento, e a alemã RWE, com 20 por cento.

O ministro espanhol da Indústria, Energia e Turismo, José Manuel Soria, defendeu esta semana que Espanha, com elevados níveis de endividamento, não se poderia "dar ao luxo de prescindir de prospeções petrolíferas" como a das Canárias e frisou que Madrid vai "apoiar e acalentar" os trabalhos das empresas que contribuem para reduzir a dependência energética espanhola.

O governo das Canárias sempre manifestou a oposição ao projeto, receando que as explorações petrolíferas possam ter um impacto negativo sobre o mercado turístico, a principal atividade económica da região, uma vez que o arquipélago é o segundo destino turístico mais popular de Espanha, depois da Catalunha.

Paulino Rivero, presidente do governo das Canárias, anunciou hoje, em comunicado, que já ordenou aos serviços jurídicos que façam o que seja necessário para impedir as prospeções de petróleo.

O executivo das Canárias, no comunicado, considera que a decisão de Madrid "quebra o princípio da lealdade e da cooperação institucional" e que é um "claro desprezo" pelas instituições das Canárias.

Espanha produz, na atualidade, cerca de dois mil barris de petróleo por dia e é quase inteiramente dependente das importações petrolíferas.

Apesar das energias renováveis assegurarem um quinto das necessidades espanholas, o aumento do preço do petróleo tem vindo a aumentar a pressão sobre a economia do país.

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