Mais uma vindima de dificuldades para pequenos e médios lavradores do Douro

| Economia

O Douro prepara-se para mais uma vindima de dificuldades: muitos lavradores ainda não têm onde entregar as uvas, outros não têm dinheiro para contratar trabalhadores agrícolas e ainda há situações de salários em atraso.

Pela Região Demarcada do Douro espalham-se entre 30 a 40 mil vitivinicultores, muitos deles com apenas meio ou um hectare de vinha, representando uma estrutura social muito frágil.

Com a grande azáfama da vindima a aproximar-se, a Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (AVIDOURO) revela que ainda há muitos lavradores que não sabem onde vão entregar as suas uvas este ano.

Grandes produtores começaram a ter produção própria e "despediram" lavradores, a quem já não precisam de comprar as uvas. No caso das adegas, os atrasos no pagamento das colheitas levam a que os viticultores procurem alternativas.

"É incerto ainda. Ando a procurar por um lado e por outro a ver se consigo uma adega estável, mas ainda não sei onde ir deitar as uvas", salientou Ernesto Lopes, produtor de Abaças.

O diretor da Adega de Vila Real, Jaime Borges, diz que "dezenas de viticultores pedem diariamente para entregar as uvas desta vindima" nesta cooperativa, uma das poucas que tem as "contas em dia" no Douro.

Depois, ainda de acordo com a AVIDOURO, por causa da quebra de rendimento, principalmente dos médios produtores, verifica-se que recorrem cada vez menos à contratação de trabalhadores agrícolas.

"É uma situação preocupante, que se está a agravar de ano para ano. Os proprietários e os viticultores não têm rendimento, logo não têm forma de contratar assalariados para as vindimas", acrescentou a dirigente da associação, Berta Santos.

Os produtores mais pequenos recorrem muitas vezes à "torna-jeira" nos trabalhos na vinha, ou seja, vão-se ajudando mutuamente nas tarefas.

É o que faz Vítor Herdeiro, de Abaças, que vai cortar as uvas nos seus 2,5 hectares com a ajuda de familiares e vizinhos. Depois, vai também ele ajudá-los.

Mas os problemas do Douro não ficam por aqui.

Avelino Mesquita, do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), referiu à Lusa situações de trabalhadores agrícolas com salários em atraso ou a terem de trabalhar mais horas, sem receberem qualquer contrapartida.

"Tenho conhecimento da existência de quatro ou cinco quintas na região demarcada com salários em atraso", frisou.

Depois, Avelino Mesquita disse ainda estar preocupado com o período de vindimas.

"Muitos trabalhadores são contratados sem qualquer vínculo, nem os devidos direitos legais, nem descontos para a segurança social, nem seguros. Sem direito a regalias sociais", salientou.

Um trabalhador, que preferiu manter o anonimato, referiu que trabalha há vários anos para uma quinta onde se repetem os atrasos no pagamento dos salários.

"Por volta desta altura, quando entram os subsídios, as coisas começam a ficar um pouco tremidas. Esta situação repete-se desde há cinco, seis anos", sublinhou.

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Ernesto, Indústrias Alimentação Bebidas, Vítor Herdeiro,

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