Manifesto dos 74 pela reestruturação da dívida passa a 148

| Economia

No manifesto agora conhecido, 74 economistas internacionais declaram apoio aos “esforços dos que em Portugal propõem a reestruturação da dívida pública global”
|

Às 74 personalidades portuguesas que assinaram o recente manifesto em defesa da reestruturação da dívida pública, uma iniciativa repetidamente fustigada pela ponte de comando do Governo, somam-se agora 74 economistas estrangeiros, cujos nomes são emprestados a um segundo texto revelado esta quinta-feira nas páginas do Público. O teor do novo documento é em tudo análogo ao primeiro: apoia-se a via de uma reestruturação que permita um “esforço de pagamento compatível com uma estratégia de crescimento”.

Amplamente torpedeado a partir dos gabinetes do Governo, o manifesto intitulado “Reestruturar a dívida insustentável e promover o crescimento, recusando a austeridade” entrou com estrondo na agenda política portuguesa, tendo mesmo levado à exoneração de dois consultores do Presidente da República, Sevinate Pinto e Vítor Martins, ambos subscritores.
“Apesar de fortes reduções do orçamento do Estado, o rácio da dívida no PIB subiu para 129 por cento. Nos dois anos anteriores a 2008, a dívida pública tinha aumentado 0,7 por cento; nos dois anos seguintes, cresceu 15 por cento. Os resultados são claros: a austeridade orçamental reduziu a procura agregada, agravou a recessão, aumentou o nível da dívida pública e impôs sofrimento social à medida que as pensões e salários foram reduzidos, os impostos foram aumentados e a proteção social foi degradada”, sublinha-se no manifesto assinado por 74 economistas estrangeiros.



Pedro Passos Coelho apressou-se a reprovar a iniciativa, resumindo os seus 74 nomes, entre os quais os antigos ministros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, o ex-dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã, ou o presidente da CIP, António Saraiva, como “os mesmos que falavam na espiral recessiva”. E até mesmo como “essa gente”.

O texto, têm advogado diferentes membros do Executivo, a par de outras figuras mais ou menos próximas das atuais lideranças da maioria, seria inoportuno, quando já se desenha no horizonte próximo o desfecho do Programa de Assistência Económica e Financeira.

É, todavia, esse mesmo documento que ressurge agora cimentado com a adesão de outros 74 nomes - desta feita de economistas internacionais - à ideia de que só com a reestruturação da dívida poderá Portugal aspirar a uma sólida expansão do PIB.

Neste segundo manifesto, noticiado na edição desta quinta-feira do Público, os signatários colocam-se ao lado dos “esforços dos que em Portugal propõem a reestruturação da dívida pública global, no sentido de se obterem menores taxas de juro e prazos mais amplos, de modo a que o esforço de pagamento seja compatível com uma estratégia de crescimento, de investimento e de criação e emprego”.
“De relevo”

Entre os subscritores do novo texto, assinala o Público, há economistas “com cargos de relevo em instituições internacionais como o FMI, editores de revistas científicas de economia e autores de livros e ensaios de referência na área”.

Trata-se de nomes com os de Marc Blyth, o académico da Universidade Brown, nos Estados Unidos, que assinou a obra Austeridade, avaliada como “melhor livro de 2013” pelo jornal Financial Times, ou de José Antonio Ocampo, antigo ministro colombiano das Finanças e secretário-geral adjunto da ONU, atualmente consultor desta Organização e do Gabinete de Avaliação Independente do Fundo Monetário Internacional.

Assinam ainda o documento os britânicos Geoffrey Hodgson, editor do Journal of Institutional Economics, e Malcolm Sawyer, da International Review of Applied Economics, bem como o canadiano Louis-Philippe Rochon, da Review of Keynisian Economics.

Surgem também as assinaturas de Richard Nelson, antigo conselheiro do Presidente norte-americano John F. Kennedy, e de Robert Pollin e Michael Ash, que contrariaram os cálculos de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, base teórica dos apologistas da austeridade como o remédio mais eficaz para a crise financeira e económica.

“Como economistas de diversas opiniões, temos expressado as nossas preocupações quanto aos efeitos da estratégia de austeridade na Europa. Recomendámos fortemente a rejeição das ideias da ‘recessão curativa’ e da ‘austeridade expansionista’ e os programas impostos a vários países. Criticámos as decisões do BCE durante a recessão prolongada e a recuperação medíocre. Os resultados confirmam a razão da nossa crítica. É tempo de mudar o curso desta política”, enfatizam os subscritores do texto citado pelo Público.

A lista completa dos nomes que aderiram a esta iniciativa é publicada na edição eletrónica do diário.

Tópicos:

Economistas, Governo, Maioria, Manifesto, Pedro Passos Coelho, Primeiro-ministro, Reestruturação da dívida,

A informação mais vista

+ Em Foco

É até hoje a mais icónica das aventuras da exploração espacial. Há 50 anos, o Homem chegava à Lua à boleia da NASA. Percorrermos aqui todos os detalhes da missão, dia a dia.

    O programa Artemis, da NASA, tem como objetivo regressar ao satélite natural da Terra e, simultaneamente, preparar a viagem a Marte.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.