Manuel Violas criou um império pagando a pronto

| Economia

A família de Manuel Oliveira Violas, que hoje completaria 94 anos de idade, assinalou a data lançando uma biografia sobre o homem que, segundo António Almeida Santos, criou um império pagando a pronto e antecipando a evolução industrial.

A cerimónia reuniu cerca de 200 familiares, amigos e colaboradores do empresário comendador que fundou as empresas Corfi e Cotesi e esteve ligado à privatização da UNICER e à criação do grupo Solverde e do banco BPI.

Na ocasião, o ex-presidente da Assembleia da República começou por afirmar que Manuel Oliveira Violas "era um sedutor, pelo que vestia, pensava e dizia, e pela sua personalidade invulgarmente rica".

Depois, Almeida Santos declarou: "Ele sabia por antecipação para onde devia ir a indústria portuguesa e o que é que devia fazer para avançar com ela. Tinha uma capacidade de antecipação única e (...) esteve sempre à frente, inclusive quando foi hora de mudar das matérias-primas convencionais para outras".

Defendendo que Manuel Oliveira Violas era "super-inteligente, auto confiante, arrojado e sério", o ex-parlamentar recorda que o empresário demonstrava "uma capacidade de inovação tecnológica que poucos tiveram", distinguindo-se por "pagar sempre a pronto", mesmo em movimentos de risco como a aquisição simultânea das 200 máquinas que estiveram na origem da Cotesi.

"Homens como este, não sei se voltamos a ter", especulou Almeida Santos. "Mas não se deu pela sua falta nas suas empresas, porque ele soube preparar bem os filhos para a sucessão e a família vai continuar na senda do êxito económico e empresarial".

Manuel Violas, presidente do Grupo Violas e filho do homenageado, preferiu realçar a faceta menos pública do pai, recordando-o como um homem que tinha sempre disponível "uma palavra amiga, dedicação e afeto", pelo que, disse, aos seus herdeiros cabe "a grande responsabilidade" de serem "seguidores do seu exemplo ímpar".

Preservar a memória de vida e carreira do comendador que faleceu vítima de leucemia aguda foi, aliás, o objetivo que motivou a obra "Manuel Violas (1917-1991) - O Homem, o Industrial, o Vencedor".

O projeto começou a ser desenvolvido em 2007 sob a coordenação do crítico de cinema Mário Augusto - que admite ter-se deixado cativar pela vida e personalidade do "empresário de génio, com capacidade de inovação e empreendedorismo" - e o resultado foi um livro que, em 204 páginas ilustradas, reúne 15 capítulos escritos pelo jornalista António Moura, com base em entrevistas pessoais, documentos vários e artigos da Imprensa regional e nacional.

"Deu-me um gozo bastante grande conhecer a personalidade do industrial e do homem", admite António Moura, "porque Manuel Violas fez parte daquela estirpe de empresários que se fizeram à sua custa, vindos praticamente do nada, e souberam criar um império" de dimensão nacional.

"Ele tinha uma capacidade de trabalho impressionante, uma força de vontade férrea, muita autoconfiança e uma sagacidade que lhe permitia detetar facilmente as tendências de futuro da área em que operava", continua o autor da obra. "As suas relações com o Poder nem sempre foram pacíficas, mas resistiu sempre com determinação e visão, e tinha ainda a particularidade de praticamente nunca ter recorrido ao crédito para os seus investimentos".

António Moura valoriza ainda a dedicação de Manuel Oliveira Violas a Espinho, considerando que, tendo nascido no Brasil, o industrial "construiu uma relação de grande proximidade com a cidade, deixando nela o casino, o estádio, lares e até um bairro para os trabalhadores que vieram para a Corfi a partir de zonas mais distantes".

Almeida Santos confirmou essa ligação ao recordar uma confidência do antigo amigo: "O Manuel Violas dizia que tinha uma amante - e a amante era Espinho".

 

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