Merkel aponta Madeira como caso de verbas europeias mal aplicadas

| Economia

“Quem já foi à Madeira pode ter ficado convencido de que os fundos foram bem aplicados na construção de muitos túneis e autoestradas, mas isso não contribuiu para a competitividade”
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A Madeira foi ontem citada numa intervenção da chanceler alemã enquanto exemplo de uma aplicação deficiente de verbas europeias. Durante uma palestra em Berlim, Angela Merkel referiu-se à Região Autónoma portuguesa para ilustrar as conclusões do último Conselho Europeu em matéria de fundos estruturais. No arquipélago, criticou, o dinheiro serviu “para construir túneis e autoestradas, mas não para aumentar a competitividade”.

Na cimeira europeia do início de fevereiro, os líderes da União adotaram uma proposta de franceses e alemães para que os fundos estruturais por orçamentar fossem aplicados na criação de emprego e para fomentar o crescimento das economias. Em causa estão perto de 350 mil milhões de euros para repartir pelos países-membros até 2013. Para Portugal foram reservados cerca de 25 mil milhões de euros.

Durante um encontro com estudantes na Bela Foundation, em Berlim, a chanceler alemã referiu-se à proposta aprovada em Bruxelas, argumentando que somente o combate às debilidades estruturais da Zona Euro permitirá ao Velho Continente ultrapassar a crise. Questionou-se, depois, sobre o rigor na aplicação das verbas europeias. E citou a Região Autónoma da Madeira.

“Decidimos, no último Conselho, que as verbas ainda disponíveis até 2013 de fundos estruturais devem ser utilizadas para ajudar as pequenas e médias empresas e não para construir mais estradas, pontes e túneis. Quem já foi à Madeira pode ter ficado convencido de que os fundos estruturais foram bem aplicados na construção de muitos túneis e autoestradas bonitas, mas isso não contribuiu para a competitividade”, afirmou Angela Merkel.
“Acesos debates” em perspetiva
No mesmo evento, noticiado pelo Telejornal, a governante alemã defenderia a necessidade de promover a concertação política entre os membros da União Europeia. Para voltar a fazer a apologia de uma maior transferência de soberania para os órgãos de Bruxelas, de modo a suprir lacunas “que a crise financeira deixou a descoberto”. Um caminho, antecipou Merkel, que vai dar lugar a “acesos debates”.

“A primeira questão é que temos de confiar uns nos outros. Ou seja, quando alguém precisa de ajuda temos de estar preparados para ajudar. É isso que o novo mecanismo europeu de estabilização deve fazer no que diz respeito aos países da Zona Euro. E temos também de acreditar que os outros farão todos os possíveis para saírem das suas dificuldades, ou seja, responsabilidade nacional e solidariedade europeia devem andar de mãos dadas”, sustentou.

A chanceler abordou também o caso da Grécia, onde se arrastam as negociações entre Governo, partidos políticos e a missão da troika para a aprovação de um novo pacote de resgate financeiro de 130 mil milhões de euros. Angela Mekel garantiu que Berlim quer que a Grécia se mantenha no grupo da moeda única. Mas frisou que Atenas terá de preencher todas as exigências do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia.

“A Grécia não vai decidir se sai do euro, segundo a informação de que disponho. Não quero que a Grécia saia do euro e, como tal, essa questão não se coloca. O euro não é apenas um projeto económico. É também um projeto político. Não participarei para forçar a Grécia a sair do euro. Isso teria consequências imprevisíveis”, advertiu.

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Alemanha, Angela Merkel, Chanceler, Fundos estruturais, Grécia, Madeira, Região Autónoma, União Europeia, Zona Euro,

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