Miguel Cadilhe vê no BPN a maior fraude na banca portuguesa

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O Estado terá assumido 80 milhões de ativos tóxicos do BPN relativos a dívidas de Duarte Lima, Arlindo Carvalho, antigo ministro da Saúde e José Neto, antigo secretário de Estado, aponta o Correio da Manhã. O Banco Português de Negócios faz este domingo a manchete das edições de dois jornais, com o Diário de Notícias a entrevistar Miguel Cadilhe sobre o mesmo dossier. “A maior fraude na banca portuguesa”, diz o antigo ministro das Finanças.

O Correio da Manhã conta na edição de hoje que os créditos foram colocados numa sociedade do Estado antes da venda ao banco BIC, por ter sido considerado que os 80 milhões de euros eram de difícil recuperação.

Cabe agora à sociedade Parvalorem recuperar as dívidas. O grupo Pousa Flores, de Arlindo Carvalho e José Neto, tinha créditos no valor de 74 milhões de euros no BPN e Duarte Lima devia quase 6 milhões de euros quando foi detido em Novembro do ano passado.
Cadilhe fala em fraude gigantesca
Miguel Cadilhe sustenta na entrevista concedida ao Diário de Notícias que o que se passou no BPN "é a maior, a mais continuada e a mais ostensiva fraude na banca portuguesa". O antigo ministro, que durante cinco meses presidiu ao banco, afirma que a opção de Sócrates pela nacionalização foi apenas política. Cadilhe continua a defender o seu plano para um banco com capitais mistos como a melhor opção e a menos onerosa

Secretário de Estado de Sá Carneiro, ministro das Finanças de Cavaco Silva, Cadilhe foi administrador do BPA, do BCP e presidente do BPN/SLN (entre Junho e Novembro de 2008)




Cadilhe deixa ainda críticas a Vítor Constâncio, afirmando que o papel do ex-governador do Banco de Portugal foi uma lástima. Constâncio, afirma, foi sempre um entrave para uma solução.

Para Cadilhe, o caso só chegou onde chegou porque "externamente o Banco de Portugal falhou ano após ano" e porque uma manta de silêncio cobria de um lado pessoas como Oliveira e Costa ou Dias Loureiro e do outro as hostes de Vítor Constâncio. Constâncio foi "uma lástima, um permanente entrave com aquele estilo dubitativo que se lhe conhece"

Diz que dele esperava um papel sincero e de apoio, mas que, ao contrário, Constâncio regateou a liquidez, impôs um mecanismo gota a gota, mesquinho e aflitivo e asfixiou o BPN: “alegou a emergente crise internacional e tirou-nos o tapete".
Opções do BPN foram políticas
Três anos depois insiste que a salvação do BPN passava por uma solução mista com capitais públicos e privados, opção rejeitada pelo Governo Sócrates, que não concedeu apoio de liquidez e optou por uma solução mais onerosa. Tomando uma decisão que, diz Cadilhe, foi só política e nunca económica.

E Cadilhe questiona: "Teixeira dos Santos e Sócrates escolheram politicamente contra nós. Porquê? Por que não impediram certas entidades públicas de retirar grandes depósitos do BPN privado? Por que declararam que a nacionalização era grátis para os contribuintes?”.

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