Nova chefe da EMD assume como prioridade zelar pelo Património Mundial

| Economia

A nova chefe de projeto da Estrutura de Missão do Douro (EMD) assumiu hoje como prioridade zelar pelo Douro Património Mundial da UNESCO, considerando que é possível compatibilizar a barragem de Foz Tua com a salvaguarda da paisagem.

Célia Ramos foi nomeada há cerca de um mês para a EMD, substituindo no cargo Ricardo Magalhães.

Em declarações à Agência Lusa, a responsável afirmou hoje que ainda está a estudar os dossiês. No entanto, adiantou que a missão principal da EMD é "manter o valor" que levou à classificação em 2001.

"Temos uma área que é Património Mundial que nos compete zelar, e é aí que nós vamos centrar a nossa atenção. Mas com a certeza absoluta de que essa paisagem depende das pessoas e das atividades", frisou.

Célia Ramos reconheceu a existência de ameaças ao Douro Vinhateiro. "A barragem e outras ameaças, aliás como tudo hoje em dia está ameaçado", acrescentou.

Um relatório elaborado pela Icomos, uma associação de profissionais da conservação do património, alertou que a construção da barragem, na foz do rio Tua, terá "um impacto irreversível" e constitui uma "ameaça ao valor excecional universal".

Nesse documento, concluído no final de junho e remetido ao governo português em agosto, a Icomos aponta os impactos negativos e graves da construção do empreendimento e sublinha que o Estado português não adotou todos os procedimentos a que está obrigado perante a UNESCO no processo de análise e aprovação do projeto da barragem.

Célia Ramos lembrou que há outras áreas Património Mundial que vivem no seu seio com centrais nucleares. "Portanto, nós temos é de perceber de facto que contrapartidas é que poderemos obter por essa via", salientou.

A responsável disse acreditar que é possível fazer a "compatibilidade das coisas".

"O Douro Vinhateiro é uma paisagem cultural, evolutiva e viva, não é nenhum fóssil, cristal. É uma paisagem feita pelos homens e pelas atividades. Eu acredito que é possível compatibilizar as coisas, o aproveitamento dos recursos naturais e a conservação e valorização da paisagem", salientou.

Na dependência do ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, a EMD tem por objetivo dinamizar ações para o desenvolvimento da região duriense e impulsionar parcerias com municípios, empresas e centros de investigação para a valorização económica do território e fomento da competitividade.

Célia Ramos sublinhou que o trabalho da estrutura de missão terá que ser desenvolvido em parceria. "A EMD é uma peça no meio de muitas peças", sublinhou.

Nesse sentido, lembrou a Rede Empreendouro, que une 26 entidades durienses no apoio a iniciativas empreendedoras e inovadoras e que vai realizar entre 02 e 03 de maio, em Vila Real, um fórum dedicado ao empreendedorismo.

Célia Ramos, de 52 anos, é licenciada em Geografia e Planeamento Regional pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e tem uma pós-graduação em Instrumentos e Técnicas de Apoio ao Desenvolvimento Rural.

Exerceu funções como diretora dos serviços de Planeamento e Ordenamento do Território na CCDR-Norte, desde abril de 2006.

Tópicos:

CCDR, EMD, Geografia, Instrumentos, Planeamento, Tua,

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