Passos Coelho não quer misturas com a crise grega

| Política

"Portugal precisa de corrigir os seus desequilíbrios e de acordo com o programa que tem”
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O PSD e o Governo português estão atentos às negociações que decorrem em Atenas entre o executivo de Lucas Papademos e os partidos da coligação sobre as novas medidas de austeridade, mas o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho já veio esclarecer que este é um processo que não terá qualquer influência na aplicação do programa de assistência negociado por Portugal com a troika. Pouco antes, o líder parlamentar laranja Luís Montenegro admitira que a prioridade é agora "evitar contágios nefastos" para outras economias, em particular a portuguesa.

Na prática, Passos Coelho quis deixar claro em relação às reuniões que estão a decorrer em Atenas que “eles são eles e nós somos nós”, rejeitando que o impasse nas negociações para o programa de ajustamento na Grécia possa vir a obrigar a alterações no programa negociado por Portugal. "Nós não temos uma situação parecida com a da Grécia, temos uma situação muito mais próxima à da Irlanda, que começou o seu programa há mais tempo, o nosso começou há cerca de oito meses".

"Os indicadores que temos de execução do nosso programa são positivos e isso leva-nos a crer que se concluirmos com sucesso o nosso programa, Portugal estará em condições de vencer a atual crise"

Passos Coelho, primeiro-ministro


Interpelado esta tarde pelos jornalistas no final da cerimónia de tomada de posse dos membros do Conselho Nacional para a Ciência e Tecnologia, o primeiro-ministro explicou que “nós temos um programa de assistência económica e financeira que é decisivo para que Portugal possa vencer o desequilíbrio orçamental e o desequilíbrio externo em que mergulhou”, pelo que, “qualquer que seja o resultado da negociação com a Grécia (…) Portugal precisa de corrigir os seus desequilíbrios e de acordo com o programa que tem”.

Relativamente a esse programa, o chefe do Governo voltou a defender que “é fazível e cumprível (sic) – impõe evidentemente medidas que são bastante duras, todos nós já o sabemos, não vale a pena estar sempre a repetir a mesma coisa”.

Interrogado relativamente ao que pode significar “corrigir os seus desequilíbrios”, o chefe do executivo negou que esteja aí à porta mais austeridade: “Não, não, significa que um país como Portugal, que teve um défice excessivo e uma dívida demasiado pesada, tem de os corrigir e nós estamos a fazê-lo, de acordo com o programa de assistência económica e financeira que temos”.
Marcelo aconselha
Ontem, no seu espaço de intervenção na TVI, o comentador político Marcelo Rebelo de Sousa deixava um aviso no sentido de que é fundamental que os governantes portugueses mantenham esta versão de que não será necessário nem mais dinheiro nem mais tempo para cumprir o plano de recuperação.

Ou seja, o antigo líder do PSD e professor de Direito defende que toda a gente sabe que no final, mais tarde ou mais cedo, será inevitável renegociar os termos do acordo de assistência com a troika internacional, mas que o mais útil para o país é que de momento se afaste esta possibilidade com toda a convicção possível.
Atenas volta a adiar acordo
Depois do fracasso de ontem nas negociações entre os partidos da coligação governamental sobre as novas medidas de austeridade, um prazo foi estabelecido para definir a situação grega: as 14:00 desta segunda-feira. Mas, perante a incapacidade das partes envolvidas para chegar a acordo, foi agendada uma nova ronda para a manhã de amanhã, terça-feira.

De acordo com um porta-voz de Lucas Papademos, o novo agendamento deve-se à vontade de completar ainda hoje negociações separadas entre o primeiro-ministro e os representantes dos credores da dívida grega.

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Atenas, Executivo, Governo, Grécia, Lucas Papademos, Luís Montenegro, Pedro Passos Coelho, Portugal, Primeiro-ministro, Troika, PSD,

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