Passos considera inviável reduzir o salário mínimo

| Política

O primeiro-ministro com Miguel Relvas a seu lado
|

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho aventou no Parlamento a opção de cortar o salário mínimo como medida que poderia ter sido aplicada em Portugal no arranque do programa da Troika. A consideração do chefe do Governo foi produzida esta quarta-feira no Parlamento, durante o debate quinzenal, em resposta ao líder da oposição. António José Seguro sugerira um aumento dos actuais 485 euros do salário mínimo nacional para impulsionar a economia. A restante esquerda parlamentar acabou por estar unida em torno da ideia de que é urgente demitir o Governo e realizar novas eleições.

“Quando um país enfrenta um nível elevado de desemprego, a medida mais sensata que se pode tomar é exactamente a oposta [e cortar o salário mínimo nacional]. Foi isso que a Irlanda fez no início do seu programa”, respondeu Passos Coelho ao líder do PS, criticando António José Seguro por dizer que “a primeira condição para ter política de crescimento é aumentar o salário mínimo”.

Criticado pelos socialistas por não desenvolver políticas de combate ao desemprego, o primeiro-ministro sustentou: “Faço eu e o meu Governo mais para combater o desemprego naquilo que ele tem de estrutural do que o senhor deputado faz [quando diz que] a primeira condição para ter política de crescimento é aumentar o salário mínimo”. Passos Coelho: Face a um nível elevado de desemprego “a medida mais sensata que se pode tomar é exatamente a oposta [baixar o salário mínimo nacional]. Foi isso que a Irlanda fez no início do seu programa”.

Pelo contrário, defendeu Passos Coelho, a medida a tomar deve ser a oposta: baixar o salário mínimo. E apenas o seu valor – nos 485 euros – impediu que Portugal não tenha seguido essa opção de o baixar, explicou o chefe do Governo, que apontou como exemplo a Irlanda, com os seus 1462 euros de salário mínimo (de acordo com um cálculo do Eurostat que permite a comparação entre países).

“A Irlanda tinha um nível de salário mínimo substancialmente superior ao nosso. Foi por isso que o anterior Governo não incluiu essa cláusula” no memorando e razão para que o atual Governo não o tenha também feito, explicou o primeiro-ministro.

“Quem quer melhorar as perspectivas de emprego no país não aparece com demagogia, mas com sentido de responsabilidade”, lamentou Passos Coelho, que, do elenco governativo, esta tarde teve apenas o ministro Miguel Relvas a seu lado na tribuna do executivo.António José Seguro: O primeiro-ministro “está de costas voltadas para os portugueses e infelizmente irredutível para mudar de caminho”.

Incrédulo por o primeiro-ministro se recusar a discutir uma subida do salário mínimo quando os parceiros sociais manifestam abertura nesse sentido, Seguro já havia questionado o que estava Passos Coelho “a fazer à frente do Governo se não é capaz de responder aos problemas do país”.

“O senhor não quer mudar porque está politicamente teimoso e está enfeudado numa política de austeridade do ‘custe o que custar’ que nos está a levar para o empobrecimento e para o desastre, mas o senhor está cada vez mais sozinho e mais isolado em Portugal”, lamentou o secretário-geral do PS, que deixava nessa altura perante o hemiciclo a questão sobre que respostas estavam a ser trabalhadas para “um milhão de desempregados”.
Esquerda pede eleições e novo Governo
Críticas que seriam reforçadas pelas restantes bancadas da esquerda parlamentar, unida esta tarde no pedido de demissão do Governo e na ideia de que apenas novas eleições poderão devolver legitimidade à governação do país.
 Jerónimo de Sousa: “Não basta levantar um gráfico e mostrá-lo à bancada do PS [sobre os dados do desemprego]”.
“O Governo apresenta uma convicção que está em rota de colisão com a realidade, a qual se vai agravando permanentemente. Do caos nunca nascerão as boas soluções. É preferível a rotura e a mudança do que esperar pelo fim do país”, apontou o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, lembrando que nesta legislatura “já foram liquidados 400 mil postos” de trabalho.

O secretário-geral do PCP sublinhou que “há 40 por cento de jovens que estão sem trabalho, a dívida continua a aumentar [e] o défice não se resolve”, num libelo que reforçou a “exigência de demissão” do Executivo.

“O país tem futuro, este Governo é que não”, acrescentou Jerónimo de Sousa. João Semedo: “[O Governo promete] desendividar o país, mas todos os meses a dívida pública está a crescer”.

A mesma urgência de substituição do executivo foi deixada pelo Bloco de Esquerda, que apelou a Passos Coelho para apresentar o quanto antes a demissão, até por respeito da dignidade política que vai com o cargo de chefe do Governo.

“Demita-se, não tenha medo das eleições, deixe a democracia funcionar”, declarou o coordenador bloquista João Semedo, reiterando que “o povo está farto de si [Passos Coelho] e da sua política. Isso foi ouvido com muita clareza de norte a sul de Portugal [na manifestação de sábado passado, 2 de março]”.

Tópicos:

António José Seguro, BE, Debate Quinzenal, Desemprego, Governo, Jerónimo de Sousa, João Semedo, Oposição, PCP, PS, Primeiro-ministro, Passos Coelho,

A informação mais vista

+ Em Foco

Em entrevista à RTP, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, garantiu que enquanto tiver confiança do primeiro-ministro não vai sair do Executivo.

Jorge Paiva, botânico e professor, um dos maiores peritos da floresta, critica em entrevista à Antena 1 o desinteresse generalizado dos políticos pelos problemas da floresta.

É uma tragédia sem precedentes que vai marcar para sempre o país. O incêndio de Pedrógão Grande fez 64 mortos mais de duas centenas de feridos. Há dezenas de deslocados.

Nodeirinho é a aldeia mártir do incêndio de Pedrógão Grande. É uma aldeia em ruínas, repleta de casas queimadas e telhados no chão. Um cenário de desolação e dor.