Portugal entrou em 2009 em recessão técnica

| Economia

Economisa portuguesa continua a demonstrar debilidades
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A economia portuguesa recuou 2% no 4º trimestre de 2008 terminando o ano em recessão técnica. “Estávamos já de sobreaviso”, garantiu o ministros das Finanças, Teixeira dos Santos. "Não podemos baixar os braços", afirma Cavaco Silva.

O Governo foi tendo sinais nas últimas semanas de que a economia portuguesa tinha fechado o ano numa situação pior do que a prevista e poderá ainda agravar-se mais, e Teixeira dos Santos admitiu que o mau desempenho da economia não acabará em breve.

Para Teixeira dos Santos, os sinais do primeiro trimestre de 2009 indiciam que a economia "continua a sofrer as consequências desta crise internacional". O ministro avisou que "não podemos ter a ilusão de que isto passa rapidamente".

"Vamos enfrentar dificuldades no início de 2009", concluiu o ministro. A economia portuguesa poder-se-á continuar a deteriorar no primeiro trimestre de 2009, mas Teixeira dos Santos realça a importância do programa de estímulo à economia apresentado pelo executivo para ultrapassar a crise.

Quanto aos dados anunciados pelo INE, Teixeira dos Santos disse que "nestas últimas semanas foi, a pouco e pouco, constatando que a queda era mais acentuada" e, por isso, estes dados "não são inteiramente surpreendentes".

"Não podemos baixar os Braços" - Cavaco Silva

O Presidente da República já reagiu ao anúncio destes dados pelo Instituto Nacional de Estatística.

Cavaco Silva afirma que os dados não são positivos para a economia portuguesa, ultrapassam mesmo as previsões de vários economistas.

Reafirma, no entanto, e na sequência daquilo que vem já a afirmar desde o final do ano transacto de que "não podemos baixar os braços".

"Os resultados de hoje são resultados que não são obviamente positivos, ultrapassam mesmo aquilo que muitos economistas esperavam na queda da produção. Mas, como tenho dito, não podemos baixar os braços, nós seremos capazes de vencer as dificuldades e devemos pensar já no ano 2010", afirmou o chefe de Estado.

Portugal tem, segundo o presidente, condições para conseguir ultrapassar a crise em que se encontra.

Para vencer a crise, Cavaco aponta uma maior aposta na inovação e nos jovens empreendedores.

Para o PSD, o Governo é o grande responsável pelos maus resultados

Para o PSD, Portugal teve "um dos piores resultados da União Europeia "em termos de crescimento económico” e a responsabilidade é do Governo socialista.

Os dados divulgados pelo INE "provam uma realidade terrível que se está a viver em Portugal e provam também a dimensão da mentira que o Governo tem vindo a encenar para a população portuguesa", disse Miguel Frasquilho, deputado do PSD.

"Certamente estes dados não são alheios à crise internacional que se está a viver mas, quando a economia decresce dois por cento face ao trimestre anterior e em termos homólogos 2,1 por cento, estamos a falar de um dos piores resultados da União Europeia e portanto isto também tem a ver com factores internos que não têm sido devidamente combatidos pelo Governo socialista durante estes quatro anos", acrescentou.

O Governo socialista "tem um modelo que está perfeitamente esgotado, não tem tido as políticas certas" e se tivesse aceite as propostas apresentadas pelo PSD "os efeitos da crise seriam bastante menores", disse Miguel Frasquilho.

"Esta realidade não era uma fatalidade, existe outro modelo de desenvolvimento, existem outras políticas", reforçou.

Dados são “extremamente preocupantes”, diz o PCP

Os dados do Instituto Nacional de Estatística sobre a economia portuguesa hoje tornados públicos são "extremamente preocupantes", para os comunistas.

"Portugal está perante o pior trimestre de sempre (desde que existem estes dados do INE), quer em termos homólogos, quer em cadeia", disse o deputado José Lourenço.

"Com a publicação da informação mais desagregada do INE, a 11 de Março, vamos ter a confirmação que o país entrou em recessão", sustentou o deputado comunista eleito pelo círculo de Setúbal.

Medidas do Governo são insuficientes para responder à situação económica – BE

O Bloco de Esquerda considerou que as medidas tomadas pelo Governo são insuficientes para responder à situação da economia portuguesa.

"As medidas que o Governo está a tomar e a assumir são claramente insuficientes para responder aos dados que hoje o INE divulgou", declarou a deputada do BE Mariana Aiveca.

Para o BE, os dados do INE "revelam que as previsões optimistas do Governo, de um crescimento do Produto Interno Bruto de dois por cento, não passavam de uma miragem".

"Os dados reflectem as preocupações dos portugueses, que vêem o desemprego aumentar todos os dias, os salários a decrescer e assistem a propostas de baixar os salários, o que é absolutamente inacreditável", acrescentou.

Para o CDS-PP, a responsabilidade da estagnação é da política Fiscal

O CDS-PP afirma que os dados do Instituto Nacional de Estatística sobre o crescimento da economia portuguesa indicam "uma situação muito grave", e a responsabilidade é da política fiscal do Governo socialista.

"Quando estava previsto de início pelo actual Governo que o crescimento económico seria de 1,8%, temos a economia estagnada e com uma situação muito grave em relação ao último dos trimestres, em que a economia portuguesa decresceu dois por cento", declarou o líder parlamentar do CDS-PP, Diogo Feio.

O deputado acrescentou que "é altura de determinar as razões para que isto esteja a acontecer" e considerou que as razões "são simples".

"Em Portugal não existe uma política fiscal boa para as empresas e boa para as famílias, que lhes possa dar liquidez", defendeu o líder parlamentar do CDS-PP.

Para os Socialistas os dados do INE traduzem "a delicadeza da situação"

"O facto de os problemas económicos e financeiros serem globais, Portugal, sendo uma pequena economia aberta, evidentemente que sofre com a actual conjuntura", advogou Afonso Candal, Vice-presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista.

O deputado lembra que "felizmente, ao longo dos últimos anos, houve uma correcção do défice orçamental e de alguns défices estruturais".

"Essas correcções permitem agora a Portugal alguma capacidade de reacção. A lógica é esta: se andaste a poupar para dias maus, começa agora a gastar", afirmou Afonso Candal.

INE divulga dados sobre 4º trimestre de 2008

O Instituto Nacional de Estatísticas divulgou esta sexta-feira a estimativa rápida dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) relativa ao quarto trimestre de 2008.

A economia portuguesa recuou 2%, no quarto trimestre de 2008 depois de ter descido 0,1% no terceiro trimestre.

Entrou por isso em recessão técnica. Um Estado entra em recessão técnica quando, durante dois trimestres consecutivos, sofre uma queda do PIB.

O produto interno bruto (PIB) representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos num País, e é um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia com o objectivo de medir a actividade económica.

A economia portuguesa recuou dois por cento face ao trimestre anterior (Julho-Agosto-Setembro) e face a igual trimestre de 2007.

A estimativa rápida do INE divulgada esta sexta-feira mostra que no conjunto do ano, o Produto Interno Bruto português fixou-se nos zero por cento - estagnação - depois de um aumento de 1,9 por cento em 2007.

Em termos homólogos - quando comparado o crescimento do quarto trimestre de 2008 com o de igual trimestre de 2007 -, o PIB baixou 2,1%, valor que compara com uma subida de 0,5% no terceiro trimestre.

Inflação média baixa para 2,4%

Outro indicador económico hoje tornado público pelo Instituto Nacional de Estatística é o índice de preços ao consumidor referente ao mês de Janeiro.

Em Janeiro, os preços em Portugal cairam 0,7% em Janeiro fixando a taxa de inflação média em 2,4%.

O índice de preços ao consumidor caíu 0,7% em Janeiro. A pressão de baixa deve-se sobretudo à descida dos preços da energia, devidos essencialmente à queda do preço dos combustíveis para mínimos de 2005.

Também o efeito sazonal dos saldos que habitualmente nessa época se realizam em Portugal deve ter ajudado a pressionar os preços em baixa.

Em contrapartida, impediram uma maior descida dos preços os aumentos de alguns produtos tais como a electricidade e os automóveis.

Em Dezembro de 2008 a queda mensal do índice de preços ao consumidor já tinha sido de 0,5%.

A taxa média de inflação em Janeiro baixou para 2,4%, e a variação homóloga (face a Janeiro de 2008) recuou 0,7%, para um novo mínimo desde 1978.

O Governo prevê no Orçamento de estado para 2009 entregue na Assembleia da República uma taxa de inflação de 1,2%, mas vários analistas consideram que este valor fica 0,9% acima daquele que efectivamente se registará.

PIB na Zona Euro caiu 1,5%

O Produto Interno Bruto da Zona Euro caiu 1,5% no quarto trimestre de 2008 face ao trimestre anterior, segundo as estimativas rápidas divulgadas pelo Eurostat.

Na União Europeia a 27 o PIB registou também uma quebra de 1,5% na comparação trimestral, segundo os números do gabinete de estatística comunitário.

O PIB da Zona Euro desceu 1,2% no quarto trimestre de 2008 face a igual trimestre do ano anterior, enquanto o PIB da UE a 27 caiu 1,1 por cento.

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