Programa de aceleração americano Techstars seleciona empresa de Coimbra

| Economia

A doDOC, "startup" de Coimbra, foi uma das 12 selecionadas em mais de 1.500 candidaturas para a Techstars, em Boston, tornando-se na primeira empresa portuguesa a entrar neste programa de aceleração.

A empresa nasceu em 2014 e desenvolveu um processador de texto "online" que permite automatizar um conjunto de passos na preparação, gestão, pesquisa e escrita de documentos profissionais, "que normalmente demoram muito tempo", transformando um trabalho que pode chegar a gastar "um dia por semana" de um funcionário em segundos, explicou à agência Lusa Carlos Boto, um dos fundadores da empresa, que se encontra em Boston, nos Estados Unidos, desde o dia 4.

O acelerador Techstars conta já com mais de mil milhões de dólares em financiamento a centenas de empresas desde o arranque dos seus programas em 2007, sendo para Carlos Boto "um dos melhores programas de aceleração, que tem um alcance que catapulta as empresas" que o integram.

Para chegar a Boston, a doDOC foi submetida a um processo exigente de seleção que envolveu uma pré-candidatura e quatro fases de entrevistas, sendo "a taxa de aprovação mais baixa que no MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts] ou em Harvard", frisou.

Dentro do programa, que tem uma duração de três meses, mais importante que a captação de investimento será a possibilidade de encontrar "a grande massa crítica daquilo que são os clientes".

"Conseguindo provar aqui a nossa capacidade e conseguindo fazer vendas, temos as portas do mercado mundial abertas", afirmou.

O processador desenvolvido está pensado para "empresas na área da indústria farmacêutica, que têm grandes problemas no processo de submissão de documentos para agências reguladoras", que é estandardizado e "altamente caótico", em que um erro no documento leva à perda de "todo o investimento" no pedido de autorização de um novo medicamento.

Apesar do foco na indústria farmacêutica, a tecnologia que está na base do doDOC "tem capacidade de expansão para outras áreas", em que são exigidos "níveis de complexidade elevados, do ponto de vista da gestão de informação e de equipas", e onde os documentos têm "formatos obrigatórios a respeitar".

A equipa é constituída por Carlos Boto, que se formou na Universidade de Coimbra, Paulo Melo, com formação na Universidade Nova de Lisboa, e o argentino Federico Cismondi. Conheceram-se no programa MIT Portugal, em 2008.

Em 2014, nasceu a "startup" depois da participação na competição Arrisca C, promovida pela Universidade de Coimbra, conseguindo integrar o programa de incubação do Instituto Pedro Nunes.

Posteriormente, a doDOC participou no programa Lisbon Challenge, organizado pela Beta-i, onde foi uma das dez "startups" finalistas.

"Utilizámos o ecossistema criado em Portugal", salientou o responsável, garantindo que, face aos apoios e ferramentas existentes no país, a doDOC é apenas a primeira empresa portuguesa a entrar na Techstars, de muitas outras que se seguirão.

"É um futuro promissor", realçou.

Tópicos:

Beta, MIT [Instituto Tecnologia, Techstars,

A informação mais vista

+ Em Foco

Em Orlando, Donald Trump apresentou-se como vítima do jornalismo “fake” e insistiu no ataque à imigração ilegal.

Ján Kuciak e Martina Kusnírová foram encontrados mortos em casa, perto de Bratislava, a 26 de fevereiro de 2018.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.