Salário mínimo na Grécia baixa 22 por cento

| Economia

O salário mínimo mensal na Grécia deverá sofrer um corte de 165 euros
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O salário mínimo na Grécia deverá sofrer um corte de 22 por cento, passando dos atuais 751,39 euros para cerca de 586 euros mensais. Esta é uma das medidas gravosas que, segundo a imprensa grega, consta do texto final do acordo entre o governo helénico e a troika que hoje será submetido à aprovação dos partidos que apoiam o governo de Lucas Papademos. A hora da reunião dos três líderes políticos com o primeiro-ministro já foi adiada hoje por duas vezes e está agora prevista por volta das cinco da tarde locais.

A confirmar-se a informação de haverá um corte de 22 por cento, o ordenado mínimo grego passa a ser inferior ao de Espanha, onde a remuneração mínima é de 641,40 euros mensais mas, continuará ser superior ao salário de 485 euros que vigora em Portugal.
Políticos arrastam os pés
Tudo isto explica porque é que os líderes dos três partidos que apoiam o executivo do primeiro-ministro tecnocrata Lucas Papademos não estão ansiosos por colocarem a sua assinatura num documento que os condenará junto do eleitorado.

Georgio Papandreou do Partido Socialista (PASOK) Antónis Samaras do conservador Nova Democracia e Georges Karatzaféris, do partido de extrema direita LAOS sabem que podem ter de ir às urnas já em Abril e querem fazê-lo com fama de terem resistido ao máximo às medidas penalizadoras.

Depois de estar prevista para as 11 horas da manhã locais, a reunião com o primeiro-ministro foi adiada por duas horas, para dar mais tempo aos participantes de examinarem o texto do acordo e depois novamente para as 17 horas, a pedido do líder do LAOS, que exigiu que fosse feita uma tradução oficial do documento inglês para grego antes de se pronunciar sobre o mesmo.

O líder desta formação política de extra direita tem sido aliás o que mais reservas tem colocado na aprovação das novas medidas de austeridade.
As reticências do LAOS

Ontem à noite, Karatzaferis tinha declarado não estar disposto a assinar se as autoridades do Estado não lhe dessem garantias de que as novas medidas “são constitucionais e vão conduzir o país para fora da crise”.

No entanto, a maior parte dos analistas acredita que o líder do LAOS acabará por assinar o texto, que poderá logo de seguida ser apresentado num conselho de ministros ainda esta noite.

Se tudo correr bem, o programa poderá ser apresentado pelo ministro das Finanças Evangelos Venizelos numa reunião extraordinária do eurogrupo e apresentada sexta-feira ao parlamento para ser votada, o mais tardar no domingo.

No entanto, porque nada está ainda garantido, o chefe de fila dos ministros europeus das Finanças, Jean-Claude Juncker, disse que só hoje à noite decidirá se vai convocar para quinta-feira uma reunião do grupo para discutir o plano de resgate.

“Decidirei esta noite se vai haver uma reunião do Eurogrupo amanhã à noite “ disse Juncker, “vai depender do resultado das conversações em Atenas”.
Portugal serviu de exemplo
A redução do salário mínimo era uma das condições que a União Europeia e o FMI, queriam ver cumpridas antes de desbloquearem o segundo resgate à Grécia.

Ainda há poucos dias Amadeu Altafaj Tardio, porta-voz do comissário europeu Olli Rehn, tinha utilizado os exemplos da Espanha e de Portugal para justificar a necessidade de uma redução da remuneração grega.

“Para vossa informação, o salário mínimo na Grécia é de 751 euros por mês” disse então Altafaj Tardio, “Multipliquem por 14, porque há 14 meses, o que dá uma média de 870 euros por mês.

Em termos comparativos, devo dizer por exemplo que em Portugal o salário mínimo é de 570 euros e em Espanha de 748 euros, se as minhas informações são correctas", afirmou o porta-voz comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários.

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