Trabalhadores da Conforlimpa no hospital de Viseu exigem pagamento de salário

| Economia

Três dezenas de trabalhadores da empresa Conforlimpa concentraram-se hoje à entrada do hospital de Viseu, onde prestam serviço, e exigiram o pagamento do salário de fevereiro, que dizem estar em atraso.

Os trabalhadores estão hoje a cumprir uma greve de 24 horas. No turno da manhã, "só trabalhou a encarregada", segundo Vivalda Silva, responsável do setor de limpeza do Sindicato dos Trabalhadores de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades Diversas (STAD).

A dirigente sindical disse aos jornalistas que os trabalhadores -- cerca de três dezenas, sendo apenas um homem -- "estão com o salário de fevereiro por pagar", o que está a provocar "situações dramáticas".

"Viemos trazer uma mensagem de força, de que não estão sozinhas, de que o sindicato do setor as está a apoiar, não só a elas, mas aos trabalhadores todos a nível nacional que estão nesta situação na empresa", referiu.

Helena Couto é uma das trabalhadoras desesperada com a situação, porque o marido está desempregado e tem uma filha deficiente profunda com 22 anos.

"Sem dinheiro, o que eu vou fazer? Comer e pagar a casa não sei como vou fazer, mas para a minha filha tem que haver", afirmou, acrescentando que não tem ninguém que a ajude e que quer o seu ordenado.

A trabalhadora lamentou ainda que, quando tem de se deslocar com a filha ao médico a Lisboa, apesar de pedir a justificação, lhe cortem o salário.

"Se for à sexta ou à segunda eles cortam-me o fim de semana, se for durante os outros dias cortam-me na mesma. Não tenho direitos nenhuns, apesar de ter uma deficiente profunda que depende de mim", lamentou.

O único homem do grupo, Pedro Moita, vive igualmente uma situação aflitiva, uma vez que a esposa também é funcionária da Conforlimpa em Viseu (num outro serviço) e não recebe há dois meses. Com dois filhos, o casal não tem como pagar as contas e a renda de casa.

A trabalhadora Fátima Fonseca disse temer ficar sem o ordenado porque, apesar de ser baixo (não atinge o salário mínimo), permite pagar as contas do mês.

"Ganhamos 2,80 euros à hora, mas é fundamental, numa vida de casal ou numa vida independente, para pagar as despesas. Para isso trabalhamos", sublinhou.

A Conforlimpa requereu na segunda-feira a insolvência, com pedido de recuperação do grupo, para travar o "iminente despedimento" de 7.230 trabalhadores, que não receberam o ordenado de fevereiro, segundo uma nota enviada à agência Lusa pela empresa.

A empresa explicou que a ação, entregue no Tribunal do Comércio de Lisboa, é o "único meio" para suspender a execução do arresto da faturação "presente e futura" da Conforlimpa (Tejo), decretada pelo juiz, no processo em que o presidente do grupo, Armando Cardoso, está acusado de fraude fiscal superior a 42 milhões de euros.

Na opinião do STAD, "dizer que se abrir insolvência os postos de trabalho ficam postos em causa" é "uma manobra da Conforlimpa".

"As insolvências nos outros setores poderão realmente ter essa consequência, no setor da limpeza poderá ter ou não, porque mesmo que a Conforlimpa não esteja, está outra empresa. Nós passamos de uma empresa para a outra com todos os direitos e regalias e os clientes não deixam de ter limpeza só porque a Conforlimpa poderá fechar", justificou Vivalda Silva.

Na sua opinião, quando as empresas pedem insolvência "nunca é para beneficiar a vida dos trabalhadores", que "ficam sempre prejudicados".

"Vamos ver o que acontece a partir daqui, porque pedir a insolvência não quer dizer que realmente vá ser decretada a insolvência", acrescentou.

O STAD tem prevista para o dia 25 uma manifestação de âmbito nacional, na Castanheira do Ribatejo, onde está sediada a Conforlimpa.

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Castanheira, Conforlimpa, Vivalda,

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