Vice da Comissão Barroso entende que "austeridade não é a receita de maneira nenhuma"

| Economia

A vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding considera que a austeridade não é a receita certa e que, mesmo que "os números sejam maus", Portugal já conquistou "o respeito de todos" pelo esforço feito.

A comissária luxemburguesa, após um encontro na quarta-feira com empresários na Associação Comercial do Porto, afirmou, em entrevista à Lusa, que não gosta da palavra austeridade, "porque essa não é a receita de maneira nenhuma". Mas, para Viviane Reading, é importante pensar que "há problemas estruturais neste país e isso tem de ser reparado", ou "não haverá um futuro para a próxima geração".

Às pessoas que na rua dizem "sim, mas eu estou a sofrer agora, o que é que tem para me dizer?", a comissária responde que "este é um período muito difícil que tem de ser ultrapassado", mas que já é possível ver "a luz ao fim do túnel". Na sua opinião, "mesmo que os números sejam maus, a credibilidade, a saída para isto, começa a despontar".

Viviane Reding, que à entrada para a reunião tinha afirmado ser necessário "mais tempo" para Portugal construir um futuro sólido, lembrou que, "no próximo mês, os ministros de finanças do Eurogrupo vão juntar-se para ver como Portugal e Irlanda desenharão o seu roteiro para sair do programa de ajuda e isso é um muito bom sinal, porque mostra que há esperança de que as coisas vão estar melhores, que há uma saída para esta situação".

Com um discurso marcadamente europeu -- "A Europa não é o problema, a Europa é a solução" -- a comissária, responsável da pasta da Justiça, Direitos Fundamentais e Cidadania, salientou o facto de Portugal ter conseguido regressar aos mercados para se financiar.

"Todos respeitam Portugal, porque vemos os esforços que Portugal fez e está a fazer, não pensem que ninguém vê isso, nós vemos e essa é a razão por que acreditamos que Portugal vai conseguir sair desta situação" afirmou, acrescentando que "os mercados acreditam também".

Segundo Viviane Reding, foi esse respeito permitiu que, na negociação do orçamento comunitário, Portugal pudesse manter "fundos especiais para investir e resolver problemas estruturais", fundos que serão 95% de investimento de comunitário e 5% de componente nacional.

De qualquer forma, a comissária mostrou-se "desapontada pelo comportamento de muitos dos primeiros-ministros" na recente discussão do orçamento comunitário. "Se vivemos numa família e alguns membros da família apregoam vitória, isso significa que outros membros da família perderam e para mim é um desapontamento se alguém pensa que ganhou contra o seu vizinho, em vez de dizer o que se fez em conjunto para que a Europa possa ser mais forte".

A vice-presidente da Comissão Europeia lembrou ainda que "Portugal é um pequeno país" que depende do seu mercado interno mas também das exportações "e por isso está também dependente da saúde económica dos seus vizinhos e de toda a União Europeia".

"Um Portugal forte, numa Europa forte será essencial para que esta sociedade se possa erguer", afirmou, lembrando que o objetivo é que o país possa "voltar a pedir dinheiro emprestado nos mercados normais e não estar tão dependentemente da solidariedade de outros países" e isso "vai conseguir-se mesmo nesta altura muito difícil", em que "muitas pessoas se sentem muito deprimidas".

Viviane Reding vai participar na sexta-feira em Coimbra num debate com mais de 200 cidadãos para escutar as suas expectativas em relação ao futuro da Europa, integrado numa série de contactos que a Comissão está a promover em várias cidades europeias.

"Quando as coisas não estão muito bem, nós políticos não nos devemos esconder, mas devemos sentar-nos com os cidadãos para perceber as suas impressões mas também os seus sonhos de futuro", afirmou.

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