Eleições madeirenses com 50,28% de abstenção

| Eleições Madeira

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As urnas encerraram às 19:00 na Região Autónoma na Madeira, onde decorreram este domingo eleições legislativas regionais. A taxa de abstenção é de 50,28 por cento, superior aos 42,6 por cento de 2011 e a maior em legislativas na região desde os registos iniciados em 1976.

CONSULTE AQUI OS RESULTADOS FINAIS DAS ELEIÇÕES.

A taxa de participação às 16:00 era já de 37,48%, abaixo dos 43,4% que se registaram no escrutínio de 2011.

Cerca de 256 mil eleitores inscritos no arquipélago foram chamados para escolher os 47 deputados que vão compor a Assembleia Legislativa, um sufrágio do qual vai surgir também o Governo Regional.

Onze forças partidárias concorreram a estas décimas primeiras eleições legislativas regionais, sendo oito partidos (PSD, CDS, PND, PCTP/MRPP, BE, JPP, PNR e MAS) e três coligações: Mudança (PS/MPT/PTP/PAN), Plataforma de Cidadãos (PPM/PDA) e CDU (PCP/PEV).
Abstenção subia às quatro da tarde
De acordo com a secretaria-geral do Ministério da Administração Interna, a afluência às urnas nas eleições legislativas da Madeira era de 37,48% às 16:00.
Em 2011, às 16:00, a afluência era de 43,4%. Este domingo, até às 12:00, a participação foi de 17,21%.

O representante da República para a Madeira, Ireneu Barreto, alertava contudo que é necessário ter cuidado na avaliação dos números da abstenção na região porque existem cerca de 40 mil votantes fantasma nos cadernos eleitorais.

"É preciso cuidado no tratamento dos números", disse o juiz conselheiro depois de exercer o seu direito de voto na secção da Câmara Municipal do Funchal, salientando na altura que "os cadernos eleitorais não estão devidamente atualizados".

Ireneu Barreto aproveitou para deixar um apelo para que esta situação seja, o que permitirá de futuro ter "números fiáveis sobre a abstenção".

Contactada pela Lusa, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) informou que a votação decorreu todo o dia sem problemas. "Quanto mais se aproximou a hora de encerramento, mais calmo ficou", referiu o porta-voz da CNE, João Almeida.
O adeus de Alberto João

Um dos aspetos marcantes deste ato eleitoral é o facto do PSD/Madeira, o partido maioritário na região desde o surgimento do regime democrático, não apresentar o seu cabeça de lista de sempre, Alberto João Jardim, que foi o líder durante quatro décadas e venceu todas as legislativas que se realizaram neste território depois do 25 de Abril.
 
O presidente cessante do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse que ao abandonar as funções públicas passará a ter tempo para "lavar pratos" se for necessário.
"Eu estou de partida da vida pública, aos 72 anos já tenho idade de ter juízo, foram 37 anos de governo, mais de metade de uma vida mas quero-lhe dizer que, como amigo, eu estou sempre ao seu dispor, de maneira que disponha, se for preciso lavar os pratos também eu venho, não tenho nada para fazer, mas com o acordo você dá-me a sua receita do leitão. O preço que levo é a receita do leitão", gracejou Alberto João Jardim durante a inauguração de um restaurante.
Nova maioria absoluta?
À frente dos social-democratas da madeira está agora Miguel Albuquerque, novo presidente do partido eleito na segunda volta das eleições internas do PSD/Madeira de 29 de dezembro, e que foi durante anos o responsável da vereação da Câmara do Funchal.

Considerado durante muitos anos um dos delfins de Jardim, Albuquerque entrou em rota de colisão com o líder, acabando por ser o seu sucessor, sem contar com o seu apoio.

No sufrágio de hoje estreiam-se o Juntos Pelo Povo (JPP), um movimento de cidadãos que surgiu na freguesia de Gaula, no concelho de Santa Cruz [município vizinho do Funchal a Este], que passou a governar depois de derrotar o PSD nas últimas autárquicas e agora se constituiu em partido para "estender o projeto político a toda a região".

Igualmente, pela primeira vez concorrem na Madeira o Movimento Alternativa Socialista (MAS), o Partido Nacional Renovador (PNR) e as coligações Plataforma de Cidadãos 'Nós Conseguimos' (PPM/PDA) e Mudança desta vez composta pelo PS, PTP, MPT e PAN.

Na história das eleições legislativas regionais, o PS também decidiu pela primeira vez abdicar de apresentar-se ao eleitorado com listas próprias, surgindo apoiado por outros partidos das oposição com representação parlamentar.

Nas últimas eleições regionais (outubro de 2011), o PSD manteve a sua posição de partido mais votado na região, embora tivesse obtido um dos seus piores resultados, com 48,56% (71.556) dos votos, o que permitiu eleger 25 deputados, apenas dois acima do limiar da maioria absoluta, perdendo cerca de 20 mil votos em relação ao sufrágio anterior (2007).

O CDS/PP-Madeira alcançou 17,6% e elegeu nove deputados, tornando-se o segundo maior partido do arquipélago e arredou o PS/M para a terceira posição ao ficar com seis deputados ao obter 11,5%.

O PTP (6,8%) conseguiu a proeza de eleger um grupo parlamentar com três elementos e o PAN (2,1%) também passou a ocupar um lugar no parlamento insular, enquanto o PND (3,2%), o MPT (1,9%) e a CDU (3,7%) mantiveram a sua representação na ALM, tendo um deputado cada.

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