Midomi.com permite encontrar músicas em 33 línguas apenas trauteando o tema

+ + Por Helena de Sousa Freitas, da agência Lusa + +

Lisboa, 24 Fev (Lusa) - Uma música ouvida de passagem na rua ou tocada na rádio sem referência ao título ou ao intérprete é capaz de suscitar curiosidade nos ouvintes, que agora podem recorrer a uma ferramenta digital para descobrir de que tema se trata.

No Midomi (www.midomi.com) é possível esclarecer as dúvidas quando uma canção cujo nome ou letra se desconhece fica a "martelar" insistentemente na cabeça, bastando para isso ligar um microfone ao computador e trautear ou assobiar a música.

Após a gravação, que deve ter um tempo mínimo de dez segundos, o Midomi, que está online desde Janeiro de 2007, procede a uma comparação com os temas que constam dos seus registos e, em segundos, apresenta uma ou várias canções que coincidem ou se aproximam do tema trauteado ou assobiado.

Esta ferramenta, que em Dezembro passado já incluía 200 mil temas, está aberta à contribuição de qualquer pessoa que deseje cantar no estúdio online da Midomi e juntar a sua interpretação à lista.

Em declarações à agência Lusa a partir de Sunnyvale, na Califórnia, Keyvan Mohajer, presidente da empresa Melodis, detentora do Midomi, afirmou que o objectivo do espaço "é chegar a um milhão de canções em breve".

Muitas músicas ainda não figuram no Midomi mas todos os dias entram novos originais ou versões que contribuem para a meta do espaço: tornar-se a "mais abrangente" base de dados para procura de músicas na Net.

Com uma precisão de reconhecimento que ronda os 95 por cento, segundo os seus criadores, o Midomi também sugere temas que, pela sua semelhança com uma determinada canção procurada, podem agradar a quem fez a busca.

"É uma forma de dar a conhecer ao utilizador músicas que, de outro modo, ele talvez nunca viesse a descobrir", explicam os mentores do espaço na página online.

Há dois meses com um "rosto" em português, o Midomi disponibiliza temas em 25 géneros/estilos distintos, dos blues à música celta, do jazz ao reggae ou às sonoridades electrónicas, não esquecendo, claro, o rock e o pop.

Com músicas gravadas em 33 línguas, "as mais usadas têm sido o inglês, o japonês, o espanhol e o chinês", contou Keyvan Mohajer à Lusa.

O espaço inclui canções de artistas portugueses como Pedro Abrunhosa, Mafalda Veiga, Xutos & Pontapés, Madredeus ou Dulce Pontes (nestes dois últimos casos, há interpretações por pessoas do Brasil e de Espanha).

Um caso curioso é o de Mathy, de 30 anos, espanhola residente em Madrid que afirma ter uma paixão pelo fado.

Tendo-se estreado em português no Midomi a 06 de Julho com "Estranha Forma de Vida", Mathy (que assina Matifa) deu voz a cerca de 200 fados diferentes ao longo desse mês de Verão, passando por artistas como Carlos do Carmo, Tony de Matos, Camané, Mariza, Ana Moura, Cristina Branco, Katia Guerreiro ou Joana Amendoeira.

Distinguido com o Popular Science Best of What`s New 2007 - galardão atribuído pela revista norte-americana Popular Science a criações científicas ou tecnológicas popularizadas pela sua utilidade - o software do Midomi analisa canções com base em características como "o tom, ritmo e conteúdo fonético", explicou Keyvan Mohajer.

Apresentado como "o Google da música", o Midomi efectua as pesquisas através da tecnologia MARS (Multimodal Adaptive Recognition System - Sistema de Reconhecimento Adaptável Multimodal) desenvolvida pela Melodis.

Esta tecnologia "adapta o motor de busca para prestar atenção às características mais importantes consoante a pesquisa", ou seja, "se o utilizador trautear, é ignorado o conteúdo de fala, mas se o cantor utilizar palavras e cantar, essa funcionalidade é usada para tornar a pesquisa mais rigorosa".

Além disso, o funcionamento da pesquisa "leva em conta os erros dos utilizadores, pelo que não é afectada pela qualidade da interpretação", assegurou o responsável à Lusa.

A ideia de criar uma ferramenta tecnológica que conseguisse identificar temas musicais apenas a partir de um trauteio ou de um assobio ocorreu há cinco anos a Michal Grabowski, estudante da Universidade de Stanford.

Michal Grabowski estava a tocar na guitarra acordes de um tema cujo nome não lhe ocorria enquanto um colega da residência de estudantes, James Hom, procurava ideias para um concurso de propostas de negócio da Universidade e foi então que Grabowski pensou: "E se fosse possível encontrar uma canção apenas trauteando-a?"

Os dois candidataram a ideia e quase ganharam mas tinham dúvidas de poder concretizá-la, pelo que contactaram Majid Emami e Keyvan Mohajer, estudantes de doutoramento em Engenharia Eléctrica com experiência em áudio.

Seguiram-se dois anos em que os quatro trabalharam na construção de um software próprio e, na passagem de ano de 2004 para 2005, o grupo tinha uma razão forte para comemorar: estava criada a solução que permitiria arrancar com a empresa, que foi baptizada de Melodis, e com o sítio Midomi.com.

O Midomi, que oferece também ao utilizador a possibilidade de ouvir e classificar interpretações de colaboradores do sítio ou de comprar bilhetes para concertos, dedica-se ainda à venda de canções originais, disponibilizando um catálogo de música digital com mais de dois milhões de temas licenciados.

Com uma vertente de rede social e um espaço para clubes de fãs, o Midomi possui ainda secções dedicadas a vários intérpretes, onde constam biografias, discografias, fotos e datas e locais das digressões.

O sítio tem ainda ligação a um blog próprio, alojado em http://blog.midomi.com, e à página online da empresa Melodis (www.melodis.com).

A Melodis pretende ajudar a construir "a próxima geração de pesquisa e tecnologias de reconhecimento de som que estão a `quebrar o silêncio` [frase que é o mote da empresa] na interacção homem-computador" e tem entre os seus planos futuros uma maior aposta "nas tecnologias de reconhecimento da fala" e o lançamento do Midomi Mobile, que permitirá aos utilizadores "procurarem música usando a voz ao telefone", concluiu Keyvan Mohajer.

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