"Madrigais camonianos", de Freitas Branco, e "As variedades de Proteu", de António Teixeira, pela primeira vez em disco

O musicólogo Alexandre Delgado apresenta hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian, as primeiras edições discográficas dos "Madrigais Camonianos" completos de Luís Freitas Branco e a ópera cómica "As variedades de Proteu", de António Teixeira.

Trata-se das primeiras gravações feitas de raiz sob a égide do Conselho Editorial da Portugal Som, constituído por Alexandre Delgado, Fernando Rocha e Dulce Brito. A PortugalSom é uma etiqueta do Ministério da Cultura/Direcção-Geral das Artes.

Os dois CD, um deles duplo, são apresentados por Alexandre Delgado às 18:30, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Alexandre Delgado sublinhou à Lusa "a importância histórica destas duas edições", na medida em que pela primeira vez se gravam completos os madrigais, que "são das melhores obras de Freitas Branco, sobretudo pela transposição poética de Camões, que é uma coisa perfeitamente extraordinária".

"Os sonetos e as redondilhas são iluminados pela música de Freitas de Branco, designadamente por um coro a capella", observou.

Os madrigais foram gravados pelo Coro Gulbenkian sob a direcção de Fernando Eldoro na Igreja do Cemitério dos Ingleses, em Lisboa, em Junho de 2006.

Estes madrigais, explicou, "são o fruto da descoberta da grande polifonia portuguesa renascentista por Freitas Branco, que tenta transportar para o século XX", procurando "recriar o espírito do madrigal renascentista com uma linguagem harmónica" do século.

Referindo-se à gravação da ópera cómica "As variedades de Proteu", composta por António Teixeira, sobre libreto de António José da Silva, o Judeu, Delgado afirmou que ela "poderá ter grande impacto internacional, tanto mais que são raras as óperas cómicas da primeira metade do século XVIII, que revelam uma tão grande riqueza vocal e musical, pois além das árias e recitativos tem duetos, trios e um quarteto".

A ópera terá sido composta e escrita ao mesmo tempo, admitiu Delgado, assinalando "existir uma cumplicidade muito grande entre os dois autores", tal como aconteceria 50 anos depois com "Don Giovanni", escrita em parceria por Lorenzo da Ponte e Wofgang Mozart.

Por outro lado, esta ópera - asseverou Alexandre Delgado - "é a prova pujante de que havia uma tradição operática em português".

Músico, historiador e crítico musical, Alexandre Delgado lembrou que "muitos referem a obra de Alfredo Keil `A serrana` como a primeira ópera cantada em português, quando esta vem demonstrar que existia pelo menos desde o século XVII essa tradição".

A ópera "As variedades de Proteu" é interpretada pelos tenores Mário Alves, Marco Alves dos Santos e Carlos Guilherme, a meio-soprano Susana Teixeira, as sopranos Maria Repas Gonçalves e Paula Pires de Matos e os barítonos Armando Possante e Rui Baeta, com a orquestra da Escola da Rhetorica, Metrica e Harmonia sob a direcção de Stephen Bull.

Alexandre Delgado assina a produção musical das duas edições.


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