Milhares em busca do galo castrado de carne tenra

A Feira do Capão de Freamunde, um acontecimento incontornável para os apreciadores da gastronomia natalícia no Norte do País, tem lugar hoje nesta vila do Vale do Sousa, onde acorrem milhares de pessoas em busca de um galo castrado de carne tenra.

A Feira do Capão (ou Feira de Santa Luzia) de 2006 realiza-se numa altu ra em que a organização dá os primeiros passos para a certificação do produto, q ue terá, no futuro, Indicação Geográfica Protegida (IGP).

"Este processo confere não apenas qualidade à criação do animal mas tam bém segurança aos consumidores, uma vez que o "Capão de Freamunde", criado numa vasta área desta região do Vale do Sousa, obrigará, no futuro próximo, a que as explorações criadoras sejam devidamente homologadas pela Entidade Certificadora" , refere a organização da feira.

Além da identificação do animal, junto do produtor, na altura da castra ção, a Associação de Criadores de Capão de Freamunde assume, por sua vez, "o com promisso de manter os registos de rastreabilidade dos efectivos actualizados".

A feira de hoje culmina uma semana divulgadora do capão, iniciativa em que participaram sete restaurantes.

O capão é um galo castrado entre os três e os quatro meses.

Essa operação, realizada tradicionalmente por criadoras experientes, pr ovoca um crescimento até três vezes superior ao registado nos galos "normais".

"Além de maior peso, que poderá ultrapassar os sete quilogramas, os ani mais têm uma carne mais clara, mais tenra e de sabor diferente", explica uma das criadoras.

Segundo os especialistas, os capões deverão ser vendidos com cerca de o ito meses, altura em que atingem também um preço mais consentâneo com as necessi dades dos produtores - cerca de 50 euros (dez mil escudos, na moeda antiga).

Os organizadores sublinham que a Feira do Capão provoca um aumento cons iderável no consumo deste produto alimentar por altura do Natal mas a procura du rante o resto do ano continua a ser pouco significativa.

A castração dos galos remonta ao tempo dos Romanos. Explica a organizaç ão da Feira do Capão que uma das razões apontadas para este acto foi a publicaçã o em 162 a.C. de uma lei que proibia o consumo de carne de galinha com o intuito de economizar cereais em grão.

Contudo, os criadores de aves, com muita imaginação, descobriram que ca strando os frangos, eles rapidamente duplicavam de peso, diminuindo, assim, o co nsumo de cereais.

Outra das razões sugeridas, um misto de lenda e história, leva-nos ao c ônsul romano Caio Cânio, que, tendo insónias por causa do cantar madrugador dos galos, fez aprovar no Senado romano uma lei que proibia a criação de aves.

Os apreciadores da carne branca conseguiram, sem infringir a lei, mante r a existência dos bichos, capando-os, o que os tornava mais calmos.

Além disso, deixavam de perturbar o sono dos residentes com o seu canta r madrugador.

A castração, por outro lado, se dava ao animal um ar envergonhado, tamb ém o tornava mais opulento, com carne tenra e muito saborosa.

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