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Após novas revelações, Relvas disponível para voltar ao Parlamento

Após novas revelações, Relvas disponível para voltar ao Parlamento
legenda da imagemMiguel Relvas diz ao jornal i que sairá "mais forte" deste caso.
Mário Cruz, Lusa

As revelações vindas a público no último fim-de-semana sobre o caso ‘Secretas’ vêm fragilizando as declarações feitas pelo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares há duas semanas na Assembleia da República. Contudo, Miguel Relvas diz-se disponível para voltar à primeira comissão parlamentar prestar novos esclarecimentos. Para Marcelo de Sousa, o ministro já é o “berbicacho número um do Governo” e, a manter-se no cargo, será já um governante "meio-morto".

As novas revelações sobre o caso ‘Secretas’ continuam a envolver Miguel Relvas, abrindo cada vez mais brechas nas explicações dadas pelo ministro no Parlamento a 15 de maio. Contudo, o número dois do Governo mantém-se confiante, já se tendo mostrado disponível para regressar à primeira comissão parlamentar para dar novos esclarecimentos caso os deputados entendam serem necessárias mais explicações. Hoje, Miguel Relvas garantiu em declarações ao jornal i que sairá “mais forte” deste caso.

No entanto, depois de na sexta-feira o adjunto político de Miguel Relvas, Adelino Cunha, se ter demitido e terem sido reveladas mensagens de Jorge Silva Carvalho que citam encontros com o ministro, os jornais do fim de semana continuaram a fazer manchetes com o caso ‘Secretas’. A última pedrada no charco avança que Silva Carvalho terá pedido a um vice-presidente da bancada do PSD para substituir a responsável do Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações, Teresa Morais, entretanto nomeada secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares, sob tutela de Miguel Relvas.

De acordo com o que noticiava ontem o Diário de Notícias, o antigo espião, acusado de corrupção e violação de segredo de Estado pelo Ministério Público, convidou o social-democrata Paulo Miguel Santos para um café. A mensagem de telemóvel terá sido enviada ao deputado já depois das eleições legislativas, mas antes da tomada de posse do Governo de Passos Coelho. O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD diz não se lembrar da missiva de Silva Carvalho.
A manter-se no cargo, Relvas será um ministro "meio-morto"
Apesar da aparente confiança de Miguel Relvas, a posição política do ministro parece cada vez mais tremida, suscitando mal-estar até mesmo dentro do partido. Ontem, no comentário semanal da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que Relvas “é o berbicacho número um do Governo”, tendo falhado tanto nas suas funções enquanto ministro – uma vez que não “conseguiu gerir politicamente a coordenação política e o discurso do Governo”; como "se viu enredado numa série de problemas que são objetivamente negativos para o primeiro-ministro”.

Para o antigo líder do PSD e atual conselheiro de Estado, se se provar alguma das premissas avançadas nos casos ‘secretas’ e ‘Público’, só resta ao ministro “sair ou ser convidado a sair”. Mas, mesmo que isso não venha a acontecer, continuar com Relvas no Governo é ter um ministro “meio-morto”, numa “fragilização terrível”.

“Como é que um ministro da Comunicação Social pode fazer a privatização da RTP sem suspeição, depois destes episódios todos, que não são felizes?”, questiona ainda Marcelo Rebelo de Sousa, para quem poderá fazer sentido “não tirar [Miguel Relvas] sozinho [do Governo]. “O primeiro-ministro [poderá] juntar a isso um retoque” no Executivo, pelo menos num ou dois ministérios que, sem os nomear, Marcelo apelida de “mastodônticos e ingovernáveis”.

Também o fundador do PSD, Miguel Veiga, admitiu ao i que Passos Coelho, apesar de querer “deixar arrefecer os ânimos”, terá de tomar uma posição pública “urgente e drástica” sobre o assunto ou “o juízo da opinião pública ser-lhe-á muito desfavorável”. “O problema verifica-se no plano dos comportamentos e da ética política, que tanto numa possível intervenção na comunicação social, como na possível promiscuidade entre política e serviços secretos, põem em causa o Estado de Direito”, afirmou Miguel Veiga ao diário.

Já Cavaco Silva, que se tem mantido à margem das polémicas que envolvem o ministro, disse hoje estar “convencido de que tudo acabará por ser esclarecido e com a devida transparência”, mas não quis “acrescentar mais nada” sobre o assunto. O Presidente da República encontra-se numa visita de Estado em Singapura.
Redação do ‘Público’ reúne-se em plenário para discutir caso Relvas
Os membros eleitos do Conselho de Redação (CR) do Público convocaram para hoje um plenário para discutir o caso que envolve Miguel Relvas e o jornal. O objetivo do plenário será debater a resposta do órgão a acusações da Direção Editorial (DE) do próprio diário, que terá acusado o CR de “manipulação intolerável de factos", e o “juízo [do CR sobre] todo este processo”.

Numa nota interna enviada sexta-feira à noite à redação, os membros eleitos do CR anunciaram a convocação do plenário para esta segunda-feira e criticam a direção do Público por ter divulgado, sem ter consultado a jornalista, que uma das alegadas ameaças de Miguel Relvas ao jornal era divulgar que Maria José Oliveira "vivia com um homem de um partido da oposição".

Na nota, os membros eleitos do CR dizem que o Conselho "só pode manifestar o seu absoluto repúdio por esta opção da DE, que constitui um abuso evidente, e que retira à DE qualquer credibilidade para continuar a afirmar que considera a ameaça de Relvas inaceitável" e defendeu um pedido de desculpas público à jornalista por parte da direção. Os dois órgãos do jornal já reiteraram que o conteúdo da ameaça "é falsa".

Recorde-se que a 18 de maio os membros eleitos do Conselho de Redação (CR) divulgaram, numa nota interna, que Miguel Relvas tinha ameaçado fazer uma queixa à ERC, promover um 'blackout' de todos os ministros ao jornal Público e divulgar, na Internet, dados da vida privada de uma jornalista, se fosse publicada uma notícia sobre o caso das secretas.

Na sequência das revelações do CR, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) começou a analisar o caso, tendo já ouvido a jornalista envolvida, Maria José Oliveira, a 23 de maio, e o ministro Miguel Relvas, a diretora, Bárbara Reis, a editora de Política, Leonete Botelho, e o CR, a 24 de maio.

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