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Europa suspensa pelos resultados das eleições na Grécia

Europa suspensa pelos resultados das eleições na Grécia
legenda da imagemImagem do comício de ontem da Nova Democracia em Atenas
Orestis Panagiotou / EPA

Os gregos decidem amanhã quem irá liderar os destinos do país na próxima legislatura. As sondagens não oficiais dão uma ligeira vantagem ao partido Nova Democracia, de Antonis Samaras, mas o Syriza, força política que se intitula de “esquerda radical e é liderado por Alexis Tsipras, surge colado na segunda posição. A chave da eleição está nas mãos dos 20 por cento de votantes que se dizem ainda indecisos. Amanhã, o futuro da Europa joga-se em Atenas. Hoje, é dia de reflexão.

Mais de um mês depois do primeiro ato eleitoral, que culminou sem que nenhum partido conseguisse a maioria parlamentar necessária para formar Governo, os gregos voltam às urnas. O cenário é hoje diferente do que se vivia a 6 de maio. A Espanha pediu um resgate financeiro disfarçado de “linha de crédito” para recapitalizar o sector da banca e adensam-se os sinais de que restam poucas hipóteses de os espanhóis saírem da crise sem o recurso a um verdadeiro resgate à economia do país. No meio, surge ainda a Itália, o último do PIIGS a oferecer resistência ao “bailout”, mas que não tem escapado à pressão dos mercados e à subida dos juros.

Amanhã, em Atenas, não é só o futuro do memorando de entendimento com as entidades internacionais que está em causa. A Europa estará de olhos postos no desenrolar dos acontecimentos, com as estratégias já preparadas quer para a vitória da esquerda, mais trabalhosa para Bruxelas, quer para o triunfo da direita. A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, defendeu hoje a necessidade de um diálogo “rápido” com o próximo executivo grego.

"Temos tempo para rever de novo o programa atual, que terá de se fazer rapidamente depois da chegada das novas autoridades", declarou numa entrevista ao jornal francês "Libération", referindo-se ao programa de assistência financeira. "É necessário acertar os relógios, porque não se sabe muito bem o que se pôs em prática e o que se cumpriu ou não nestas últimas seis ou oitos semanas. Primeiro vamos ver o que se passa e reiniciar imediatamente o diálogo com as autoridades políticas”, acrescentou.
Grécia fora do Euro? "Devastador"
“Se a esquerda radical vencer – o que não pode ser posto de parte – as consequências para a união monetária são imprevisíveis”. As declarações de Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, ao jornal austríaco Kurier, refletem as preocupações dos líderes europeus.

Para Junker, a renegociação dos termos da ajuda internacional à Grécia está fora de questão, mas o líder dos ministros das Finanças dos 17 também não admite o cenário de perder um dos membros da moeda única. “Isso tem de ser evitado. Enviaria um sinal devastador. Os gregos têm de ter isto em atenção. A coesão interna da Zona Euro ficaria em perigo”, alertou Junker.
Contra o "memorando da bancarrota"
As últimas sondagens oficiais, publicadas há duas semanas por imposição da lei grega, davam conta de uma disputa renhida entre Samaras e Tsipras. No último dia de campanha, o líder do Nova Democracia apelou ao voto através de acusações diretas ao rival. “Tsipras quer rejeitar o memorando, mas se chegar ao poder vai ter de assinar um memorando muito pior do que este”, clamou perante a multidão de apoiantes.

O líder da direita admitiu a possível constituição de um Governo de salvação nacional, com o intento de garantir a sobrevivência da Grécia na Zona Euro. Para Samaras, as ideias do Syriza significarão o “desgoverno” da Grécia e a necessidade de uma terceira ronda eleitoral. “A nossa existência como nação está em jogo”, rematou o candidato. Samaras garante que a rejeição dos termos do programa de assistência significará o regresso da Grécia ao dracma.

Já Alexis Tsipras, o líder do Syriza que ganhou popularidade na primeira ronda da campanha eleitoral por defender a renegociação das condições da ajuda ao país, voltou a anunciar a intenção de rasgar “o memorando da bancarrota”. “Bruxelas, esperem por nós. Vamos chegar na segunda-feira para negociar os direitos das pessoas e cancelar o resgate”, declarou ontem no discurso de encerramento da campanha.

Tsipras mantém que os líderes europeus estão a fazer bluff quando ameaçam cortar o financiamento ao país. Dando o resgate concedido à banca espanhola como exemplo, o líder do Syriza reforçou a tese de que é possível manter o auxílio à Grécia sem que o país tenha de continuar a implementar as duras medidas de austeridade exigidas no acordo. “Espanha negociou e conseguiu garantir o apoio financeiro sem um pacote de consolidação fiscal, apesar das ameaças dos credores”, argumentou. O medo do contágio é demasiado grande, sustenta.


TAGS:Grécia, Juncker, Lagarde, Nova Democracia, Samaras, Syriza, Tsipras, dracma, eleições,

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