Futuro da Galilei/ex-SLN "é difícil", diz presidente do grupo

O presidente da Galilei disse sexta-feira, no Parlamento, que o futuro do grupo "é difícil" e que pode mesmo acontecer o despedimento de 1.500 funcionários se tiver de pagar a coima exigida pelo Banco de Portugal.

Fernando Lima, que lidera o grupo que sucedeu à Sociedade Lusa de Negócios (SLN), foi ouvido sexta-feira pelos deputados da comissão parlamentar de inquérito sobre a nacionalização e reprivatização do Banco Português de Negócios (BPN), numa audição de quase quatro horas.

Sobre a situação atual do grupo Galilei, que integra dezenas de empresas, Fernando Lima disse que "o futuro é difícil" e que explicou a situação recentemente numa carta aos mais de mil acionistas que "o grupo tem viabilidade, mas que tem dificuldades difíceis de ultrapassar".

O responsável mostrou-se sobretudo preocupado e indignado coma coima de quatro milhões de euros aplicada à sociedade pelo Banco de Portugal, hoje conhecida, e disse mesmo que se o grupo tiver de pagar esse valor irá levar à sua liquidação e ao fim de 1500 empregos.

"Fico estupefacto como uma sociedade prejudicada por indivíduos leva uma coima de quatro milhões de euros, a coima máxima, pondo em causa a sobrevivência de todo este grupo e de toda esta gente", afirmou Fernando Lima, perante os deputados da comissão de inquérito ao BPN.

Sobre as sociedades `offsore` do grupo, o presidente da Galilei disse que, aquando da reprivatização do BPN, em 2008, o grupo tinha 97 `offshore` e que neste momento "há 70", após um trabalho de liquidação e encerramento destas que, segundo o próprio, foi complexo, já que implicava "analisar as `offshore`, as contas destas, fazer um trabalho sério".

Fernando Lima disse que esse trabalho foi dificultado pelo facto de as duas pessoas que conheciam esses processos terem saído da SLN/Galilei após a nacionalização do BPN.

Os quadros Miró que pertenciam ao grupo BPN/SLN aquando da nacionalização foram abordados nesta audição, com Fernando Lima a garantir à deputada do PS Ana Catarina Mendes que não há qualquer confusão com a propriedade destes, considerando que "40 a 50 estão no BPN ou BIC", enquanto "37 pertencem a quatro `offshore` da Galilei".

"Os quadros Miró que pertencem a `offshores` cuja última beneficiária é a `offshore`-mãe estão perfeitamente identificados. Estão juntos nos cofres da Caixa [os do BPN e da Galilei], agora se são vendáveis ou não, não sei", disse Fernando Lima, adiantando que nas reuniões entre o grupo Galilei e o BPN foi equacionado usar os quadros para pagar a dívida do grupo ao banco.

João Semedo, do Bloco de Esquerda, considerou após estas explicações que na coleção de quadros Miró são "vários a reclamar propriedade dos quadros, mas todos com receio que apareça o verdadeiro proprietário", pelo que não fazem usufruto destes.

A dívida da Galilei ao BPN foi um dos temas mais falados na audição.

O presidente da Galilei negou hoje que a dívida do seu grupo seja na ordem dos mil milhões de euros, contrapondo que o valor real do passivo é de cerca de 170 milhões de euros.

Numa anterior audição, o ex-administrador do BPN Norberto Rosa estimou em cerca de mil milhões de euros a exposição do banco em relação à extinta SLN.

De acordo com o presidente da Galilei, "a dívida do grupo neste momento à Parvalorem [sociedade veículo criada pelo Estado no âmbito do caso BPN] é de 109,42 milhões de euros a entidades absolutamente formais".

Em relação às 70 e 80 `offshores` constantes no projeto César, cuja dívida global rondará atualmente os 522 milhões de euros, Fernando Lima apelou para que não haja "confusões" nesta matéria e salientou que tal "não é reconhecido como dívida".

Após estas declarações de Lima, tanto o deputado comunista Honório Novo como o do Bloco de Esquerda João Semedo afirmaram que a audição de Fernando Lima neste ponto não permitiu "separar águas" e o PCP disse mesmo que pode vir a solicitar uma "acareação entre responsáveis do BPN e da SLN" para esclarecer as dúvidas", já que há números que se parecem contradizer.

Em resposta, Fernando Lima disse que, se somados, os números que deu não são muito distantes dos do ex-administrador do BPN Norberto Rosa e considerou que "o BPN reclama mil milhões de euros, mas nunca disse que a Galilei devia mil milhões de euros".

"A questão aqui não é de titularidade das `offshore`, o que está em causa é saber se custos feitos com essas `offshore` devem ser imputados à Galilei ou ao BPN.

Fernando Lima foi ainda questionado sobre a cedência de salas em edifícios do grupo a um candidato presidencial, tendo garantido que estas foram "alugadas" e as "rendas recebidas".

Fernando Lima foi membro da comissão de honra de Manuel Alegre na candidatura à presidência da República.

TAGS:BPN BIC, Galilei, Miró,

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