Sírios pedem asilo político a Portugal

Sírios pedem asilo político a Portugal
legenda da imagemMinistro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Ahmet Davutoglu
Hakan Goktepe

Segundo noticiou hoje o Correio da Manhã, duas famílias sírias pediram ontem asilo político a Portugal depois de terem chegado ao aeroporto da Portela, em Lisboa. O pedido ocorre numa altura em que o conflito interno da Síria já terá feito mais de 15 mil mortos e em que as relações do país com Turquia ameaçam desafios militares internacionais.

Chegaram ontem seis refugiados a Lisboa, naturais da Síria, e dois tiveram de receber tratamento médico no Hospital de Santa Maria antes de recolherem às instalações provisórias do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) no aeroporto, segundo escreve o jornal Correio da Manhã de hoje.

O grupo será composto por quatro adultos, com cerca de 50 anos, e duas crianças, ambas com menos de dez anos de idade e vinha a bordo de um voo comercial proveniente de Casablanca, Marrocos, ontem de manhã.

As duas famílias dirigiram-se imediatamente ao balcão do SEF onde formalizaram um pedido de asilo por motivos políticos e aguardam agora por uma licença de asilo temporário emitida pelo director-geral do SEF no prazo máximo de 48 horas, o que permitirá o seu alojamento no lar daquele organismo na Bobadela. A autorização definitiva terá de ser dada pelo Governo Português, que analisará o processo nos próximos dias.

Na bagagem traziam milhares de euros, dólares e outras divisas, bem como leitores de DVD e outros dispositivos electrónicos. Estes bens são pouco comuns entre refugiados, o que suporta a premissa apresentada pelo SEF ao Correio da manhã, de que "serão pessoas que tiveram de fugir da Síria, não por questões económicas ou humanitárias, mas políticas".
Mais de 15 mil mortos durante a revolução
O aumento da violência na Síria forçou os observadores da ONU a suspenderem a missão, apesar de terem ficado no país.

A Síria está em tumulto desde fevereiro de 2011, quando eclodiram protestos em massa contra o regime do Presidente sírio Bashar al-Assad. O conflito tornou-se violento rapidamente, uma vez que as forças de segurança e os membros da oposição entraram em confronto armados.

Em março, a ONU calculava que, desde que começou a revolta, já teriam morrido mais de nove mil pessoas. Esta semana, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) apontou para um total de 15.026 mortos na Síria nos 15 meses de revolta.

O OSDH diz que pelo menos 10.480 civis, 3.716 soldados e 830 desertores foram mortos devido à repressão e aos combates, sendo que contabiliza como civis os homens armados que combatem o regime mas não são soldados.

A oposição afirma lutar pela sua liberdade, contra um regime opressivo. O governo diz estar numa demanda para aniquilar uma incursão estrangeira patrocinada por terroristas que conquistaram o povo e a sua vontade de protestar.
Aumenta a tensão com a Turquia
Depois da antiaéreas sírias terem abatido um caça turco que o ministro dos Negócios Estrangeiros daquele país, Ahmet Davutoglu, diz que se encontrava em espaço aéreo internacional, a Turquia solicitou à NATO uma reunião para discutir o caso, que terá lugar na próxima terça-feira.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou no sábado a sua "profunda preocupação" relativamente ao impacto do caso do avião de combate turco abatido pela Síria, numa conversa ao telefone com o chefe da diplomacia turca, mencionando “potenciais implicações sérias deste incidente na região”.

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, informou que serão tomadas medidas duras logo que seja concluído o inquérito ao incidente com o F-4 Phantom da Força Aérea turca. Entretanto, o presidente turco, Abdullah Gül, admitiu que o avião "poderá ter invadido o espaço sírio" durante uma missão de rotina.

TAGS: Abdullah Gül, Ahmet Davutoglu, Ban Ki-moon, ONU, OSDH, Observatório Sírio dos Direitos Humanos, SEF, Tayyip Erdogan, Turquia, asilo, caça, mortos, revolução, sírios, Síria,

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